O presente que pedi a Papai Noel


Lais Amaral Jr

O período natalino é um trecho do ano que me traz sensações contraditórias. Há sim, alguma poeira de felicidade no ar. Muito por conta da propagação de um forçado estado de alegria, que mistura aspectos de cordialidade, espírito cristão e coisas afins, com a necessidade de consumir, sempre com a nobre justificativa de presentear entes queridos. E tudo isso junto com a “certeza” de estarmos adentrando num período que prenuncia festas, confraternizações, férias e mudanças para melhor no novo ano que se aproxima. Tudo se mistura.


Só que essa decantada, quase-euforia natalina, não bate com o que emana do olhar de muitos adultos com quem cruzamos nas ruas. É um olhar carregado de desolação, decepção, fracasso. São desempregados ou gente com trabalho precarizado, os filhos em casa, mal alimentados e, certamente sonhando com Papai Noel. Pessoas que estão profundamente tristes e desmotivadas para a vida. Isso vaza dos olhos de muita gente nas ruas. Dói e desnuda a irrealidade, a verdadeira ilusão desses dias, pretensamente especiais.