Gosto se discute?


Paula Sabbag

Alguns assuntos como futebol, religião e política são qualificados como muito delicados para serem discutidos. Em um universo cheio de lados, opções e "detentores da verdade absoluta", fomentar discussões relacionadas a esses temas e sobre outras questões polêmicas entre pessoas que possuem pontos de vistas opostos pode gerar situações desconfortáveis. Até mesmo um bate papo sobre assuntos menos densos como gosto musical, preferências sobre artes em geral entre outros temas pode se tornar uma briga. E frequentemente as diferenças de opinião são tão gritantes que às vezes pensamos: é tão óbvio para mim, por quê o outro não enxerga? E talvez a pessoa com quem você esteja conversando (ou a essa altura discutindo) pensa exatamente a mesma coisa sobre você e o seu ponto de vista. Até que ponto a visão do outro é certa ou errada quando difere da nossa? E como avaliar o que é melhor ou pior baseado em nosso ponto de vista que, vale lembrar, é só mais um ponto de vista, não é o único. Sim sabemos que contra fatos não há argumentos. Mas a linha de raciocínio dos indivíduos é extremamente diversa. E até mesmo um fato óbvio pode ter várias maneiras de ser analisado.

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Creio que gosto pode sim ser discutido. Idéias, pontos de vistas e crenças podem ser explorados em discussões mesmo sendo divergentes. Não precisamos concordar com idéias ou visões que para nós não fazem sentido. Não devemos, aliás. Porém, dar espaço para que cada um possa expressar o que pensa com respeito e interesse não é somente uma forma de educação e uma boa dose de empatia. É abrir a mente para outras perspectivas,