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FOLHA EM BRANCO (2)



É apavorante a folha em branco.


Mais ainda porque hoje em dia ela nem é uma folha, mas uma tela de plasma, ou cristal líquido, sei lá, emulando um papel. E o requinte de crueldade é que há uma infinidade cada vez maior (o que é uma impossibilidade, uma metonímia, acho...) de assuntos pululando por aí, doidos pra ganharem uma resenha.


Desde a improvável e cada vez mais concreta liderança folgada do Botafogo no campeonato brasileiro à qualidade das perguntas dirigidas ao Zanin, na sabatina, por senadores cuja alfabetização merece uma auditoria (nada contra os analfabetos em si, mas desconfio que ler e escrever seja uma obrigatoriedade para a disputa do Senado).


Uma simples lida nas primeiras páginas, além da quantidade de feminicídios, ataques em escolas e outras manifestações extremas e desumanas de barbárie que, a meu juízo, não são mais que tremores secundários do grande terremoto que nos sacudiu recentemente, seria facilmente resenhável.


E os bilionários? Contra todas as recomendações de bom senso e prudência, enfiaram-se naquele tubinho plástico pra bisbilhotar o Titanic de perto. De acordo com a leitura dos jornais, todos os submarinos de passeio a grandes profundidades até aqui eram globos de titânio e não havia garantia para nenhum outro material em muitos anos de exploração. Mas o dono desse táxi de luxo da morte, montado na grana, não atendeu às recomendações e fez do jeito dele mesmo. Deve estar dando explicações pro capeta agora. Ninguém entendeu, no inferno, porque o cara chegou implodido.


A propósito, o astronauta daqui, aquele que andou ministro por aí, agenciava essas viagens bestas pro fundo do mar. Táxi de um quarto de milhão de dólares a corrida. Tirou correndo do site dele o anúncio.


Não acaba o rol das improbabilidades. O advogado de defesa daquele cujo nome não deve ser pronunciado afirmou, no plenário do TSE, que as evidências existentes não são evidências. Que a minuta de golpe não era uma minuta, que a tal reunião com os embaixadores era algo como um “convescote diplomático”, política de Estado. Tá ok...


O partido novo (eu grafo em minúsculas por opção mesmo) também fez das suas, claro. O governador de Minas, que é o expoente nacional dessa novidade, acaba de colocar uma dinheirama pública na reforma da estradinha que dá no sítio dele. Bonito ele, né? Pro tal partideco, tudo tem que ser privatizado, menos o custo das obras em seu próprio benefício.

Se a gente pensar um pouco mais longe, claro que é assunto o fato de a Índia ter ultrapassado a China em quantidade de gente. Dizer “população” tem um efeito amenizador. É gente mesmo. Cabeçada, muvuca, povaréu. Muita gente em pouco espaço e num mundo onde cabe cada vez menos gente. Se a China tem um mérito é o fato de ter praticamente três vezes o tamanho da Índia e uma economia muito maior ainda.


Da guerra, uma das mais burocráticas de todos os tempos, mas tão sangrenta e bárbara como todas as demais, há sempre muito o que falar. A besta do apocalipse que é o Putin invadiu a terra do otário do Zelensky. Ninguém do “ocidente” quer encarar a Rússia de frente, então ficam mandando arminha pro Zelensky ficar brincando de guerra, mas sabendo que não há jeito de ganhar. Enquanto isso, a galera vai morrendo ali, de boa. E a Otan não suja a mão e nem o pé na lama.


Quando olha pro sul, a Europa vê, no Mediterrâneo, levas e levas de migrantes morrendo em embarcações apinhadas de gente fugindo da desgraça geralmente semeada pelos povos do norte. Guerras e outras quizilas que, não raro, contam a participação direta ou indireta de não africanos, expulsam o povo de seus lugares de origem rumo aos Estados de bem estar. Pra pegar os restos, em situação nem sempre melhor que em sua própria terra. E os peixes do Mediterrâneo passam a ter uma dieta parecida com a dos tubarões do Atlântico Sul na época dos navios negreiros que vinham da Costa da Mina pro Valongo. Mas isso nem se fala muito, porque tem o submarino dos bilionários, né? Ih, assunto repetido.


Tá vendo só? A folha em branco é uma merda! Ela enlouquece a gente, porque só tá em branco (e nem é mais folha, lembremos...) por causa da nossa limitada capacidade de sistematizar assuntos. E nem se falou de coisa boa, como a reentrada no Brasil no “concerto das nações” depois de passar um tempo sendo considerado um “sub-país”, a queda nos índices de desmatamento, a queda do dólar, dos combustíveis e dos aluguéis, por exemplo.


Pra além do fato de que notícia ruim dá sempre mais assunto, não custa lembrar que só em junho foi aniversário do Chico Buarque, do Gilberto Gil, do Hermeto Paschoal e do imortal Ariano Suassuna. O fato de ele, Ariano, não poder ser encontrado por aí, só porque morreu, é irrelevante. Afinal, imortal é imortal.

Pra finalizar, lembrando ainda que junho é mês de Santo Antônio, São João e São Pedro, os donos do pedaço, a gente passa o mês todo ouvindo Luiz Gonzaga, Sivuca e Dominguinhos, os imortais que deram ainda mais materialidade aos nossos junhos de fogueiras, canjicas e quentões.


Pra última folha branca do mês, ela foi até razoavelmente preenchida. E os assuntos nem foram resenhados. Listar também vale.


Que venham outras.

Julho tá aí mesmo...


Rio de Janeiro, junho de 2023.

 

Música

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