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ESTRANHAMENTOS



A primeira linha do texto é um desafio importante para quem escreve: encontrar o início que precisa ser atraente para o leitor, que o prenda ou o instigue de alguma forma a continuar com a leitura. Vou citar dois exemplos que me ocorreram agora, de uma frase e de um verso iniciais, extraídos de um romance e, naturalmente, de um poema, que acho marcantes: Leo Tolstoy, em Anna Karenina: ”Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.”. Não imagino um começo mais contundente do que esse, claro, dentro do contexto da história desenvolvida no livro. Sou suspeitíssimo para falar sobre Ivan Junqueira, que tenho na mais alta estante dos poetas brasileiros de todos os tempos, e foi meu amigo, mas citarei o verso inicial de um dos seus inúmeros poemas magistrais: “Não sou eu que escrevo o meu poema: ”, em O Poema.


Cada escritor adquire, com o passar do tempo, as etapas do seu processo criativo, abastecido por leituras e pela conquista do hábito de escrever, do exercício, do tornar-se íntimo da sua ferramenta principal, no nosso caso, a Língua Portuguesa. O grande objetivo é encontrar a própria dicção, o jeito da expressão e a caligrafia literária, que é somente do escritor, e ninguém poderá ter uma idêntica, feito uma digital. E dentro dessa dinâmica adquirida e exclusiva de características e peculiaridades, não seria surpresa encontrarmos vários jeitos de exercer a escrita, independentemente do tipo de literatura ou não literatura.


No meu caso de poeta, evidentemente vale a questão do primeiro verso. Mas há outras e, em cada escritor, haverá muito mais. Um poema pode surgir a partir de um nome, de um verso a esmo, além do inicial, intermediário ou mesmo para o fechamento dele.

Ferreira Gullar, certa vez, disse que o telefone tocou na estante da sala (era um aparelho medieval que ficava em cima de algum móvel, com fios, conexões analógicas, discadores jurássicos, sem tela e de formatos e cores diversas), e quando se levantou para atender, seus ossos estalaram. Ele levou um certo susto, e depois afirmou, em entrevista, que a poesia dele era feita a partir do espanto das coisas do dia a dia.


Como cronista bissexto, entendo que buscar as senhas do cotidiano imediato seja um caminho natural para o meu texto. Mas isso é muito relativo, porque tudo nessa vida pode se transformar em arte, seja ela de qual tipo for. Quando os ossos do poeta estalaram, isso causou um estranhamento nele e, por isso, o deslocou de alguma forma do estado em que ele permanecia, para um outro, inesperado, que o levou à reflexão de sua própria vida, por meio da poesia que ele escreveu imediatamente depois do ocorrido.


Hoje, ao sair de casa, vi minha mãe velhinha com um olhar suspenso ao infinito. Um misto de contemplação e de serenidade. Um ar de compreensão dos 80 anos que fará agora em outubro. Uma espécie de muito obrigado por viver tanto e ser tão importante na vida de muita gente. Como em Gullar, um espanto tomou conta de mim. Entrei num estado de espírito muito diferente do que até então estava. Tudo se modificou, absolutamente. A escola literária russa chama isso de literatura.


Li, há pouco, Mia Couto. Deixo vocês com ele: “Hoje sei: nenhuma rua é pequena. Todas escondem infinitas histórias, todas ocultam incontáveis segredos.”


 

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