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Eli de Oliveira, um meteoro musical que passou por aqui




Dia desses bateu uma saudade enorme de um cidadão talentosíssimo, chamado Eli de Oliveira. Dele e de sua arte. Uma brisa soprou nos ouvidos os acordes da lindíssima ‘Pedra Sabão’. A nostalgia me moveu até o YouTube. Busquei a Ananda Fabres cantando no Little Clube, Beco das Garrafas. A menina ao violão, com apoio de Jean Charnaux, no outro violão e do percussionista, Lucas Amorim. Ela interpreta ‘Pedra Sabão’ numa levada um pouco mais lenta do que seu autor cantava. É sua leitura e não muda nada, linda do mesmo jeito.


Ananda é filha de Lea Fabres, cantora maviosa, que conheci bem menina, quando ela ainda namorava um monstro da criação musical (instrumentista, maestro, compositor, arranjador e outras coisas) que é o Carlos Tinguá. Lea cantou minha primeira canção feita em parceria, que foi justamente com o Tinguá. Coloquei letra na melodia que ele me enviou e nasceu ‘Arrebol’, que na voz da Lea ganhou vida e formosura. A última vez que estive com a Lea e Tinguá, foi ainda nos anos 1980. Fui ver o espetáculo ‘A Dança dos Signos’, do Oswaldo Montenegro, num teatro no Flamengo. A Lea era backing vocal ou cantava no coral. Tinguá, se não me engano deu uma força na iluminação. Décadas depois procurando coisas do Eli, para minha felicidade, achei mãe e filha (Ananda eu não cheguei a conhecer) cantando coisas desse cara genial e inesquecível que é Eli de Oliveira.


Agora uma breve viagem de volta para o passado, quando conheci o Eli. Certa noite, vindo da faculdade, em Niterói, saltei da barca na Praça XV, e como não era muito incomum acontecer, o cheiro do Angu do Gomes em segurou. Eu não conseguia resistir. Parava na carrocinha. Depois tinha que pegar o ônibus para Nova Iguaçu nas proximidades da Praça Mauá. Com o tempo gasto saboreando a iguaria eu pegava um ônibus mais tarde e como consequência, perdia a última condução do centro de Nova Iguaçu até o bairro onde morava. Mas valia a pena. A delícia compensava caminhar aqueles 3 ou 4 quilômetros. E lá foi eu caminhando, noite adentro até que chegando em frente ao Instituto de Educação Santo Antônio, o nosso conhecido ‘Colégio das Irmãs’, um alarido me chamou atenção. Estava acontecendo no ginásio do colégio, a final do festival de música da cidade. Entrei, claro.


A segunda colocada estava acabando de ser executada. Em seguida foi anunciado o primeiro lugar. Um tal Eli de Oliveira, totalmente desconhecido para mim. Um caboclo magrelo que de violão em punho, com o qual ele demostrou ter uma grande intimidade, soltou a voz e o refrão da canção até hoje soa nos meus ouvidos: “A Bahia está distante em Miguel Calmon”. A canção Miguel Calmon, fez a cidade baiana do interior ser conhecida de todos nós. Terminado o festival, Eli e uma turma de fãs (já tinha) saíram pela noite à cata de bares para festejar a vitória. No grupo havia amigos em comum. Eu, como acontecera com o Angu do Gomes, não resisti e fui com a turma.

Nos enturmamos. Depois Eli se casou no Hare Krishna e um dia se mandou para a Europa, tentar a vida. Perambulou por vários palcos de lá, conheceu muita gente boa. Na volta, sempre nos encantando com suas composições e procurando outros caminhos, fazia shows e ampliava o leque de parceiros, entre eles, Carlos Papel e Papete (com este ele fez a bela ‘Planador’), até que teve a vida abreviada num estúpido acidente na Zona Oeste do Rio. E lá se foi o Eli, muito antes do combinado, como diria o também saudoso, Rolando Boldrin.


E foi num desses vácuos de saudade e nostalgia que recorri ao YouTube e (re)descobri a Lea Fabres e conheci sua filha Ananda, cantando num recanto histórico para a música, em Copacabana, canções do Eli de Oliveira, como ‘Campo de Força’, ‘Vem Vento’, ‘Moleque do Doce’, a vibrante ‘Três Sobrados’. E logicamente a que mais me toca que é ‘Pedra Sabão’. Nessas buscas ainda tive a felicidade de achar uma preciosidade, o próprio Eli cantando ‘Sim Nhô Nhô’ e ‘Batique’.

Que bom que gente sensível e talentosa não deixa a gente te esquecer, me camarada! Que Bom! Viva Eli de Oliveira! E viva Lea Fabres! Viva Ananda Fabres! Viva Carlos Tinguá.


“Chuva de março lavou o chão

Passo antepasso pelo portão

Tangendo sonhos eu vou

De encontro a voz que me chamou

Para embarcar na luz que aportou

Cantam ao vento liras ao léu

Trago no peito tragos de céu

Sinto a razão de ouvir

Uma canção antes de ir

Pelas visões moldando o existir

O céu eterno adorna o mural

Línguas de luz na catedral

Imagens mudas de pedra sabão

Velha morada de ilusão

Cílios de sol é meia estação

Verde no pasto cheira a verão

Asas de dor pisei

Templo adentro caminhei

Abrindo portas que eu não fechei

O céu eterno adorna o mural

Línguas de luz na catedral

Imagens mudas de pedra sabão

Velha morada de ilusão” (Pedra Sabão – Eli de Oliveira)


 

Cultura



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