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Um janeiro ligeiro, voraz. Eita!!


Lais Amaral Jr.

Apropriando-me da moderna análise do desempenho tático de um time de futebol, posso dizer que o finalzinho do segundo terço do campo do mês de janeiro foi um espanto. O segundo terço desse campo imaginário começa no dia 11 e termina no dia 20. No finalzinho, dia 19, Aline Moraes (não é aquela), minha irmã mais nova faz aniversário e no dia seguinte, o último dia do segundo terço do campo, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio, padroeiro do meu saudoso pai terreno e na Umbanda, meu pai Oxóssi, Okê Arô!


Eu até pensei em fazer uma brincadeira com minha irmã, que quando morou no litoral paulista, no Carnaval subia para desfilar na Gaviões da Fiel. Mas logo que despertei, com pensamentos estranhos, meio pra baixo, que revoam as manhãs de gente da minha idade, lembrei-me da perda inestimável que ocorrera naquele dia 19, há quarenta anos: Elis Regina, partiu. Antes do combinado, diria Rolando Boldrin.


Naquela época eu trabalhava num cartório no qual meu pai era tabelião. O salário era minguado, mas tinha uma guarida de sair um pouco mais cedo para trabalhar num jornal. Na tarde daquele dia 19 de janeiro de 1982, terça-feira (conferi no Google) um amigo deu a notícia. Esse amigo, um engajado ator, cantor, poeta e compositor, de voz tonitruante e gestos largos, chamava-se Sylvio Monteiro. Para mim, o melhor intérprete de Ronda. Ele chegou e me olhou com seus grandes olhos que pareciam saltar das órbitas e num jeito quase retórico indagou:


Ouça as obras de Evandro Lima, na Spotify.


“Sabe quem morreu?” Disse isso socando o cotovelo no balcão de madeira que nos separava. Eu temi pela perda de um de nossos amigos queridos. E ele logo emendou com a resposta: “Elis Regina”. E estalou sua manopla na testa larga, a calva pronunciada. Era seu jeito, dramático, mas sincero. O brevíssimo alívio por saber que o elenco de gente próxima estava intacto, foi logo interrompido, pela punhalada da perda real. Amávamos Elis. A dor foi parecida como se um dos nossos, tivesse partido. E como esses quarenta anos passaram voando! Amo Elizete e tantas outras, mas para mim Elis foi a maior de todas.


Aquela tarde vem vazando o tempo. Quase em frente ao meu trabalho, no número 62 da pequena Rua Getúlio Vargas, havia uma escola, num casarão remanescente dos áureos tempos dos laranjais. Hoje o casarão não é mais escola, é a Casa da Cultura, ou Espaço Cultural Sylvio Monteiro. Uma bela e oportuna homenagem ao amigo que, por conta de uma infecção hospitalar, consequência de um acidente automobilístico, também partiu antes do combinado.


Certamente os comentaristas modernos diriam cheios de convicção que o time de janeiro chegava ao fim do segundo terço do campo com muita velocidade e certamente entraria no terço final do campo voando baixo. Mas faltava o último dia do segundo terço, dia 20. São Sebastião, feriado no Rio, praia cheia. E vem a notícia da morte da gigantesca Elza Soares. Num mesmo 20 de janeiro no qual 39 anos antes partira seu grande amor, Mané Garrincha. Ele veio busca-la pois não suportava mais tanta saudade, disseram.


Elza partiu aos 91 anos de uma vida longa e tortuosa, com curvas para o bem e para mal. Sofreu, brilhou, encantou e representou a alma do brasileiro. Nunca saiu da favela, costumava dizer. E não fosse nossa mídia tão voltada ao tilintar da caixa registradora, sempre a abrir espaço a insípidos cantantes, quase sempre, dezenas de duplas sertanejas de qualidade discutível, mais pessoas saberiam dessa diva que encantou Louis Armstrong com seu saxofone na garganta, que conquistou prêmios internacionais sendo inclusive considerada pela BBC de Londres, a “Voz do Milênio”, diz a abertura da belíssima matéria de Bia Abramo, na revista digital ‘Focus’, da Fundação Perseu Abramo. (Revista, que por essas fantásticas sincronicidades, tem como diretor de comunicação o amigo Alberto Cantalice, que por um breve período trabalhou comigo naquele endereço em Nova Iguaçu, e que, como o saudoso Sylvio Monteiro, foi torcedor do América. Hoje ele é vascaíno).

Elis foi a minha maior intérprete e Elza ultrapassou a intérprete, foi a maior personagem. Elza agora está livre. Viva Elza!!


OBS.: Dia 25, aniversário de São Paulo. Morreu Olavo de Carvalho. Olha a ligeireza no terceiro terço do campo. Atacantes já na cara do gol.


“A carne mais barata do mercado é a carne negra

Que vai de graça pro presídio / E para debaixo do plástico E vai de graça pro subemprego / E pros hospitais psiquiátricos” (A Carne – Seu Jorge/ Marcelo Yuka/ Ulisses Capplette)


 

Ouça!




Café musical, na Spotify.



CD Roda de Samba do Bip Bip



Mariozinho Lago e seu disco maravilhoso.


 

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