QUEDA LIVRE



Royal Gorge Bridge, Colorado, US.


Fazia um tempão que queria saltar de bungee jump daqui. Aquele elástico gigante. A gente vai em queda livre e no final o elástico estica e freia. Depois recolhem a gente. Uma coisa maravilhosa. Bom pra mente. Aqui é outro nível. A ponte mais alta da América. Tava ruim de viajar pra cá naqueles anos de governos de esquerda no Brasil.


Muita gente. Aviões lotados, uma encrenca danada. Não entendia que esquerda era essa, que fazia o pessoal se sentir rico. E aqui também, com Obama, era um clima de festa permanente, a economia mundial bombou. Por sorte, em 2008, um poucos antes da eleição daquele crioulo Obama (a que ponto chegamos...), a crise do Lehman Brothers dividiu as coisas entre quem era rico mesmo e quem tava só dando uma sorte. Os ricos continuaram ricos, os que estavam com sorte perderam aquela rodada e abandonaram o cassino. Saco. Difícil conviver com essa gente que pensa que é rico.


Agora sim, aqui no alto da ponte quase sem gente, sem aqueles brasileiros gritando. Rico não grita. Uns poucos ricos, os pobres estão penando com a pandemia, a 321 metros do leito do Rio Arkansas. O bungee jump mais alto do mundo. Dinheiro de família, o sonho americano. Esses democratas não vão acabar com isso!


Nascido no Brasil, também tinha passaporte americano. Não ia pular naquele troço que instalaram num guindaste na Praça XV, na Olimpíada do Rio. Arremedo do arremedo. Aliás, arremedo de Olympic Summer Games. Lá é sempre summer, pra começar. Aquele calor horroroso. Exotic people. Tinha estado lá na época por exigência de uns clientes importantes, gente do petróleo.