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PURPLE RAIN



Nas épocas de janeiro e fevereiro, em Teresópolis, as quaresmeiras pintam a cidade do roxo médio de suas flores — verdadeiros afrescos nas partes superiores dos morros, um cinturão púrpuro, espetáculos da natureza que deixam a gente boquiaberta, especialmente no meu caso, um aficionado pela paleta de roxos e espantosas variações, vidrado nas formações de auroras e ocasos. Presentes sempre inéditos e diários, e que muita gente ignora.


Teresópolis representa lugar de alegria. Meus compadres moram por lá, num local muito aconchegante e perto da natureza — tem quintal, ar puro e outras benesses incontáveis, noves fora a companhia deles e de meus afilhados. Terê é uma delícia. Ter amigos de verdade, também… Agora que os afilhados já são homens barbudos, ganhamos duas afilhadas, Aline e Yayá, lindas, lindas e lindas. Ainda tem a Gaia, pitbull nervosa com outros bichos e estranhos — com a gente, um docinho de bebê do titio.


Sim, as quaresmeiras chamam a atenção, mas algumas coincidências da vida, chamam mais. Tive de voltar ao Rio na segunda de carnaval, primeiro horário, ônibus, assento 21, janela, invariavelmente. No último ponto antes de descer a serra, embarca um rapazote de camisa roxa (quase preta a olhos desatentos), não deu bom dia, apenas acenou com a cabeça, antes de acomodar-se ao meu lado. Pôs os fones sem fio e acendeu o celular. Estiquei o pescoço e, de rabo de olho, ligado à tela que ele mexia. Era numa plataforma de música, onde clicou, convicção inabalável, no disco Luz, de Djavan.


Fiquei inquieto com a escolha do rapaz, porque há alguns bons anos, meu “broda”, Cézar Ray, fundou um blog chamado Zarayland, no qual escrevia e recebia colaborações de seus amigos. Tendo a anuência do Boss, inaugurei por lá a coluna chamada DMV (Discos da Minha Vida). A intenção era a de que eu pudesse discorrer, empiricamente, sobre discos importantes na minha formação cultural, sempre com certa ênfase subjetiva, feito se eu escrevesse a coluna para amigos íntimos. E fomos felizes assim por determinado tempo.


O DMV mais acessado da história do blog foi justamente o que versava sobre Luz, disco absolutamente magnífico, fortíssimo candidato a Top Ten da música brasileira de todos os tempos.

A inquietação predominante sentida, foi a de constatar o fato de alguém de idade para ser meu neto, ter interesse por um disco lançado em 1982, lá nos escombros do século passado. Fiquei impressionado, confesso.


 O menino de roxo escuro começou a ouvir o disco. E debatia-se na poltrona, estalava os dedos, sussurrava as letras — estava totalmente envolvido. Na quarta faixa, Capim, não me contive e o cutuquei. Assustado, tirou somente um dos fones e virou o rosto em silêncio, esperando o porquê da interrupção. Mostrei o referido DMV, ele desfez a cara sisuda, e leu compenetrado. Começamos a conversar, diria, de avô para neto e vice-versa. Disse ter conhecido o Luz por intermédio de seu padrasto e, desde o primeiro acorde, foi amor à primeira audição. Não largou o osso. O mais legal de tudo foi o momento em que notamos o meu celular nas mãos dele, indicando coisas legais, e o dele nas minhas, fazendo o mesmo.


A suscitar, de vez, as coincidências, seu nome é Prince, porque a mãe é superfã do norte-americano que, falecido em 2016, por sua vez, era outro aficionado pela paleta roxa. E Prince, o “neto”, não sabia dessa predileção do Prince, o astro.


No final daquele dia, já em casa, e pensando nessas coisas, caiu garoazinha quase perto das 18h30, num átimo antes de anoitecer.


Purple Rain?

 

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