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ONDE RESIDE O FRACASSO DO PT



Carlos Leoni R Siqueira


Em 2016, a Editora Contexto publicou o livro intitulado DO PT DAS LUTAS SOCIAIS AO PT DO PODER, de autoria do sociólogo José de Souza Martins. É talvez o documento mais importante publicado recentemente sobre os caminhos e descaminhos do Partido dos Trabalhadores, desde sua origem e seus princípios éticos, até a conquista do poder por Lula e a perda de sua identidade inicial. Faço a seguir um sumário da parte inicial do livro, que sintetiza essa evolução (ou devo dizer involução?) do PT. No sumário, transcrevo, sem indicação, alguns trechos do livro, no que me pareceram serem essenciais à boa compreensão do público em geral.


O PT nasceu em 1980 como um dos mais importantes resultados da grande e significativa transformação política e religiosa decorrente da aproximação do fim da polarização ideológica entre os Estados Unidos da América e a União Soviética, que atinge seu cume e fim com a derrubada do Muro de Berlim em 1989.


Naquela ocasião, como ainda hoje, o mundo ansiava pelo advento de uma nova ordem mundial dada a flagrante injustiça nas condições de vida da maior parte das populações de cada país, com umas poucas exceções; todavia o desenvolvimento político que se seguiu no mundo estava – e continua a estar – limitado pelos quadros mentais da cultura dicotômica entre direita e esquerda, prevalente desde tempos imemoriais.



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A nova realidade política não conseguiu se pautar por novas categorias interpretativas; manteve vivas as categorias então reconhecidas e aplicadas na análise dos fins e objetivos políticos, incapazes de situar, explicar e alcançar as mudanças sociais almejadas, aliás não identificadas nem compreendidas pelos próprios agentes que pretendiam realizar as mesmas mudanças.


O PT, que nasceu com a ambição de ser o grande agente das mudanças sociais imperativas no Brasil, acabou por continuar buscando decifrando as necessidades políticas a partir do marco obsoleto da Guerra Fria, dicotômica e historicamente superada; assim, definiu como de direita todos os partidos e todas as pessoas não alinhados com o petismo. Autoproclamou-se “a esquerda”.


Ao alcançar o governo, em 2002, o PT teria de buscar implantar uma nova e diferente realidade política, sem nenhum sentido no quadro da polarização moribunda. Só que ele continuou a ver o presente à luz do passado, em que pese a atuação da Igreja Católica, que, a partir do Concílio Vaticano II, tentava examinar e moldar o futuro a partir das necessidades dos pobres, a grande maioria do povo brasileiro. Note-se que a atuação religiosa chegou a tal ponto, que hoje é impossível interpretar a política no Brasil e até mesmo na América Latina fora do marco das religiões e mesmo das disputas entre elas. A ressacralização do mundo é um fato político irrefutável agora, haja vista o que ocorre no Oriente Médio.


Ressalte-se que o PT sofreu de um vício ab ovo: o de pretender mudar tudo para, simplesmente, pensar e manter basicamente tudo como estava antes dele.


Três fatores são importantes para se entender como isto ocorreu. Valores de tradição conservadora foram adotados como base de sua ação: família, agricultura familiar, propriedade privada da terra para os pobres, religião, concepção artesanal do trabalho e da produção, e resistência ao dinheiro e ao capital. Tudo fundamento imaginário de carências radicais de mudança social, inatendíveis nos parâmetros próprios da modernidade. A opção preferencial pelos pobres foi convertida tão simplesmente na opção preferencial pelo poder e por aquilo que ele pode proporcionar; em suma, desconheceram os limites e as possibilidades da mudança social e política, entendendo que essa mudança viria da simples manutenção do partido no poder. Tornou-se o PT mais um partido da ordem e do poder preexistentes do que um partido para fazer a revolução social e política.


E dentro dessa visão pequena e deturpada, sem capacidade de planejar e executar, com o consenso nacional, as reformas necessárias que modificassem, dentro de um quadro de conciliação e boa vontade, as realidades políticas e sociais do Brasil, cederam “docemente” constrangidos a propinas e subornos e, dessa forma, puderam coonestar – e eu diria, conviver mesmo – ricos sem escrúpulos e sem compromissos humanitários e sociais, desinteressados das reformas, mas interessados no benefício descabido do lucro advindo da corrupção, com eles compartilhado. Chegaram ao cúmulo de explicar seus atos como de “corrupção altruísta” daqueles que se utilizaram das propinas para levar ao poder e nele manter o partido que se autointitulava a esquerda.


Cantoras maravilhosas nesta playlist da Youtube.


Os corruptos do PT, que levaram a corrupção a valores antes nunca sequer imaginados no mundo ocidental e a institucionalizaram, só não contavam defrontar-se com a moralidade dos novos costumes e das novas gerações, esbulhadas de seus direitos fundamentais, com o desvio da arrecadação e de outros recursos sob controle estatal de setores vitais, como a educação, a saúde e a infraestrutura, todos violentamente afetados pela inadmissível permissibilidade petista, para produzirem outros benefícios, de natureza diversa, ilegal além de ilegítima.


Daí resultou a formação de um bloco de poder onde impera (imperou?) a mediocridade das ambições desmedidas, da falta de lucidez política e de um projeto de nação. E a óbvia e clara condenação do PT na última sucessão presidencial.


Não resta dúvida, o tiro saiu pela culatra; na verdade, o poder estruturalmente viciado, cuja reforma era desejada, se apoderou do PT, que dele pensara se apoderar. Desaparecem os princípios éticos e o morre o verdadeiro interesse pelas reformas sociais...


Assim se explica, em termos sociológicos e históricos a assunção e queda do PT.


Janeiro de 2022.

Carlos Leoni R. Siqueira


*Todas as colunas assinadas refletem opiniões do colunistas.


 

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