O Velho Mundo Novo




Havíamos sonhado que após a pandemia um mundo novo, mais solidário, pudesse surgir. Muitos outros, pelo contrário, diziam que não. Que depois de uns poucos ajustes as coisas voltariam a ser como eram. Podemos notar que ambas hipóteses estavam erradas. Após a pandemia, que ainda teima em resistir com centenas de mortos diários, o que estamos vendo é um retrocesso. Nem um mundo novo e nem a volta das coisas como eram. Estamos dando passos largos para trás. No cenário internacional uma guerra , sobre a qual a desinformação é enorme, já provocou mais de 3 milhões de refugiados em países vizinhos. São pessoas que perdem todos seus bens e suas referências culturais em função de causas anacrônicas exacerbadas por provocações recentes. Ganham os falcões, os fabricantes de equipamentos bélicos. Perde o mundo e especialmente os sofridos habitantes que servem de joguete para projetos políticos. O esforço motivacional relativo a medidas de mitigação de mudanças climáticas que resultou na grande reunião de Glasgow, no último mes de novembro, parece coisa do século passado. Como consequência da guerra e da crise no suprimento energético na Europa mobilizaram-se as indústrias poluentes. A alta no preço da energia deve gerar mais investimentos em combustíveis poluidores, porque são os de mais rapida viabilização. Os países se descobrem muito dependentes de cadeias mundiais de produção e resolvem dar um passo atrás na interdependência que a globalização estava provocando. Fecham-se fronteiras. Busca-se auto suficiência , os custos aumentam. Reacendem-se visões nacionalistas e mesmo xenófobas. Isso não favorece o entendimento, pelo contrário ,leva a isolacionismos. Projetos de aproximação ou integração regional são desmobilizados. As políticas identitárias longe de nivelar os diferentes segmentos num plano de cidadania estão criando ódios entre minorias. Cada vez mais os discursos ferem a tecla do diferente como o inimigo e não o parceiro a ser aceito e respeitado. As cidades decididamente nao estão pensando no novo. Enquanto levas de sem-teto ocupam os antigos centros urbanos com as administrações fingindo que eles são invisíveis, os segmentos de classe média e mais abonados refugiam-se em guetos. Os que podem com segurança própria. Os demais na mão das milícias. O aparelho do estado é pouco presente. Seus funcionários vivem no plano das reivindicações corporativistas ( saúde, educação, seguran