Moacyr Franco, o artista sem um tempo, parte 2


Moacyr Franco, em cena_fonte: Youtube

Ao abordar o sucesso da Balada nº 7 eu concluí a primeira parte dessa crônica na semana passada, com a seguinte frase: “Ainda hoje a balada pulsa, até como uma metáfora da própria existência”. E pulsa mesmo, e que fique bem claro, que não só pelo personagem gigante que foi Mané Garrincha, mas também por trazer junto, implícita, praticamente indivisível nessa história de mitos, a figura dessa mulher extraordinária que é Elza Soares. Sem ela, Mané teria deixado a ribalta antes que a canção final do espetáculo terminasse. Elza Soares, mulher e artista das maiores de todos os tempos. Não dá para falar de Mané sem citá-la.


Essa canção/homenagem ainda iria caminhar mais um pouco. A partir dela foi feita uma campanha para a realização de um jogo de despedida para Garrincha e a renda da partida foi destinada à família do craque que estava precisando. Outra despedida aconteceu no Maracanã no final de 1973 para um público de 150 mil pessoas. Foi a despedida com a camisa da seleção contra um selecionado do resto mundo. Garrincha, então com 40 anos, deixou o campo aos 30 minutos do primeiro tempo. ‘Suas pernas cansadas correram pro nada’. Mas, a homenagem feita em Goiânia, foi marcante para Moacyr também. Serra Dourada lotado, Garrinha e Elza Soares entram junto no campo e dos autofalantes reverberava a Balada nº 7, ao vivo, na voz de um Moacyr Franco emocionadíssimo. Uma noite inesquecível para muita gente. Eu imagino como estaria o coração de passarinho de Mané.