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MARATONA



Finalmente conseguira fazer o circuito completo. Não se entendia mais sem carnaval e não conseguia, racionalmente, fazer escolhas razoáveis. Queria se esbaldar na folia em Recife, Salvador e Rio. Não podia passar sem o encontro dos trios, mas a vida sem frevo e o Galo da Madrugada também não era admissível. E a Mangueira?? Fizesse qualquer coisa, tinha de estar no Rio no desfile da verde e rosa.


Planejou detalhadamente. Beneficiada pelo calendário generoso do carnaval da Bahia, chegou a Salvador na quinta feira cedo, a tempo do grande encontro dos trios.


Emocionou-se com um aceno de Caetano. Não entendeu direito quando uma mão a puxou para o trio, deu-lhe uma pulseira de papel e a autorizou a subir. Não tinha pedido, mas não é  coisa que se rejeite. Se acabou até não poder e, por fim, jantou com a equipe do trio, depois de dançar com Caê, ainda sem acreditar que a sorte lhe tenha sorrido tanto.


Na manhã de sexta embarcou pro Recife. Um dia de blocos em uma Olinda já pulsante, uma passada nas pontes pra ver o Galo ainda adormecido.  Na manhã de sábado, mesmo reclamando não estar no Bola Preta, foi muito feliz no Galo da Madrugada. Pensou muito sobre ficar, mudar pro Recife, vestir uma camisa do Náutico e nunca mais pisar no escritório na Faria Lima. Descontente com o sotaque paulista originário, já ensaiava um acento nordestino, no que se perdia e misturava a Bahia com Pernambuco e Ceará. Mas a intenção era boa. E no auge dessa reflexão, foi tragada pelo arrastão da Orquestra de Maestro Spok, que passava em direção a uma outra apresentação fazendo a incrivel exibição de sopros de sempre. Acabou na mesa com o maestro, seu ídolo dentre os instrumentistas, desde que, anos antes se arriscara no sax, frequentando uma escola de música em São Paulo.


Embarcou na manhã de domingo embevecida com o que tinha acontecido. Salvador e Recife foram generosas a ponto de marcarem pra sempre a vida de uma paulistinha solitária, que se planejara pra ser muito feliz naquele carnaval. Mas chegaria ao Rio a tempo de, no mesmo dia, à noite cantar em uníssono com a multidão o hino da Estação Primeira. A escola, acostumada a desfilar na segunda, viria excepcionalmente no primeiro dia de desfiles, o que fez com que a logística dessa “Operação Carnaval” ganhasse contornos de drama e comédia, incluindo voos mais caros e indisponibilidade de hotéis.


A Laís, nossa heroína, era osso duro. Indisposta pra tentar uma hospedagem alternativa, avaliou que passaria o dia na casa de um amigo dos tempos de universidade e, na manhã de segunda, já realimentada pelo sempre antológico desfile da Mangueira, embarcaria de volta a Sampa, onde descansaria trabalhando, pra eventualmente voltar no sábado das campeãs. Assim fez. No domingo cedo, no entanto, ao invés de descansar, seguiu direto pro grande baile que o Cordão do Boitatá promove na Praça XV. Nem telefonou pro amigo, que tinha preparado um café reforçado, sabedoria que era da necessidade da amiga.  


O corpo estava combalido de emoções e cansaço físico extremo, mas as muitas horas de academia mostraram a sua utilidade. Viu deslumbrada  um desfile de grandes talentos. Colada na grade, bebeu litros de água e, num átimo, conseguiu usar o banheiro dos músicos, ali bem perto. Não conseguiria chegar nos banheiros mais distantes cruzando a multidão. Foi Teresa Cristina quem a levou pela mão, ao perceber o desconforto da Laís e o fato de estar sozinha. Não saiu mais do lado de dentro. Era a terceira sorte radical de carnaval. Beliscava-se a cada segundo. Amava aqueles dias como nunca. No encerramento do baile, se viu abraçada a Yamandu, Hamilton de Holanda, Pedrinho Miranda, Teresa Cristina, Kiko Horta. Gente a quem tinha como ídolos. O calor do Centro do Rio nem a incomodava mais. Não sentia nenhuma falta do ar condicionado e da maquiagem a que era obrigada a cada dia na corretora de valores. Não precisava falar inglês ou francês negociando com bancos internacionais, não tinha mais a necessidade de receber investidores de dinheiro duvidoso pra conversas sérias. Ali estava a felicidade líquida, palpável, sentida em cada parte do seu corpo.


À noite, na Sapucaí, o corpo exigia muito pra ver o desfile da Mangueira. Viu. Cantou, sambou, chorou, acenou pra Alcione, pra Rainha da Bateria, pra Rosemary, que passou bem perto da frisa em que ela estava. Mas não resistiu às demais escolas. Saiu do sambódromo, entrou num táxi pra tentar uma vaga em algum motel barato pra dormir e pegar o voo de manhã pra São Paulo.

Parou num dos primeiros que viu.  Nem sabia direito onde estava, mas ainda era perto do Centro. O plantonista da noite estranhou a moça sozinha, perguntou se ela esperava alguém, o que normalmente acontece. Não. Não esperava. Queria dormir e sair pra embarcar ainda de manhã.


Acordou.


O som estridente de pássaros não remetia ao centro do Rio.

Era o Pantanal, pra onde tinha viajado pra passar uns dias com o novo namorado, que não gostava de carnaval. Tensa com a falta da folia, tomou um Rivotril inteiro pra dormir. As doze horas de sono foram mais que suficientes pra um sonho tão complexo.

Era terça feira. Com sorte, conseguiria um vôo pro Rio a tempo de ver algum bloco, um desfile do Cacique, o que houvesse.


Aquele namoro não tinha chance de dar certo.

E reservaria as passagens pra fazer a maratona dos sonhos no carnaval seguinte!!

 Skindô!!!

 

Rio de Janeiro, fevereiro de 2024.


 

 Carnaval: Uma Festa de Pertencimento e Prosperidade Cultural



O Carnaval e outros folguedos não são apenas festividades; são pilares fundamentais para a coesão social, geração de emprego, renda e impulsionamento da economia local. Essas celebrações enraizadas na cultura popular brasileira unem comunidades, promovem a diversidade e preservam tradições ancestrais.



Enquanto milhões de foliões dançam pelas ruas e praças, os impactos econômicos são inegáveis. O comércio local floresce com a venda de alimentos, bebidas e souvenirs, enquanto artesãos e costureiros encontram demanda por suas habilidades na confecção de fantasias e adereços. Além disso, o turismo relacionado ao Carnaval atrai visitantes de todo o mundo, injetando vitalidade financeira nas cidades anfitriãs.


No cenário musical, a Cedro Rosa Digital, sob a direção do renomado produtor e compositor Tuninho Galante, desempenha um papel crucial. Esta plataforma certifica obras e gravações musicais, assegurando aos criadores seus direitos autorais merecidos. Com transparência e eficiência, a Cedro Rosa Digital não apenas protege a propriedade intelectual, mas também promove uma indústria musical mais justa e sustentável.



Em suma, o Carnaval e a Cedro Rosa Digital representam expressões vibrantes da cultura brasileira, enriquecendo não apenas os palcos e as ruas, mas também as vidas daqueles que participam e contribuem para essas manifestações.

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