Literatura / ESQUINA, por Paulo Castro.



Paulo Castro , o Paulinho do Cavaco

A esquina era parada obrigatória depois do trabalho e depois da praia.


No botequim, beira de calçada, se reuniu com os amigos de toda a vida: contou piadas entre pedidos de chope “com dois dedos de espuma, por favor.”; defendeu o seu tricolor, escalando a melhor defesa que viu jogar: Castilho, Cacá e Pinheiro; elogiou, com autoridade musical, a interpretação da Nara no show “Opinião”; convocou a turma para a passeata das “Diretas Já”; festejou a queda da ditadura, vibrou com a vitória da Mangueira depois de muitos anos; sofreu com o vexame dos 7 x 1, chorou a “partida” da esposa... Enfim: nela, vivenciou todas as alegrias e tristezas de uma vida plena.


Agora, na beira da cama do hospital, a neta acompanhava os seus últimos momentos. Foi ela quem recebeu a mensagem do irmão, que fazia pós-doc na Inglaterra: “Estou arrasado, mas não poderei viajar. Vou defender minha tese esta semana. Diga a ele que o amo.”