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IMBECIS



Quando garoto, um de meus maiores medos era o de crescer e me tornar um imbecil. O imbecil, eu aprendi cedo, tem o mundo em torno de si e tem resposta pra tudo o que acontece nesse seu mundo próprio. Não precisa de ninguém ou nada.


Apetrecho nenhum faz mais fácil a vida do imbecil. Na adolescência, muitos de nós tangencia essa característica. Mas é passageiro, felizmente. O imbecil é diferente do ignorante, o que não sabe. Me orgulho de ser um ignorante em muitos temas. Não sei e pronto! Se precisar, procuro informação a respeito com quem sabe. Também não me arvoro a ter opinião sobre temas que desconheço. Já o imbecil, até pela incomensurável extensão de seus quase infinitos conhecimentos, jamais se furta a comentar um tema.


Em geral são muito incisivos nos temas religiosos, na política, na economia, na ciência e nos costumes. O imbecil tem a solução definitiva para quase todas as mazelas que se abatem sobre a sociedade. Ele sabe exatamente o que deve ser feito para que se controle a inflação, a violência, as doenças mais sérias.


Milhões morreram na segunda guerra mundial, mas um imbecil atual, longe dos campos de batalha, tem certeza absoluta que resolveria a questão com uma de suas ideias mágicas.

A recente pandemia foi um palco privilegiado para o desfile de imbecis, todo mundo viu. E o que melhor caracteriza o imbecil talvez seja a firmeza de suas ideias, imutáveis e rígidas como uma montanha, por mais que evidências e provas desfilem reluzentes diante de sua visão obnubilada pela imbecilidade.


Nem é preciso repetir o tanto que as redes sociais, tão úteis e democráticas, o foram também com os imbecis, que antes restritos a seus nichos locais, passaram a ter o alcance universal só antes dado ao que era relevante. Milhões de tiktokers e youtubers imbecis e carismáticos invadiram o mundo onde antes eram invisíveis. Alcançaram postos de poder (dois grandes países das Américas foram vitrines do imbecilismo mundial) e arrebataram multidões que, hipnotizadas pela simplicidade dos argumentos dos imbecis, viram a oportunidade de suas vidas pra sair das masmorras empoeiradas onde antes viviam. Uma avalanche de imbecis invadiu escolas, política, universidades, hospitais, botequins.


Com a imbecilidade vem a violência desmedida, um recurso muito utilizado pelos imbecis contra argumentos dissonantes de suas certezas. Com eles, vem a falta de empatia e sororidade, porque qualquer sofrimento é mimimi. Com eles, volta a crescer o racismo, a misoginia, o feminicídio, a falsa defesa do que eles chamam de conservadorismo de costumes, mas que no fundo é só uma moldura para as piores práticas. O caso do aborto é paradigmático. Rara a família da classe média conservadora onde, pra manter as aparências, não foi necessário levar a filhinha a uma clínica pra tirar o(a) netinho(a) indesejado(a). Mas no público, tem que ser contra e fazer escândalo. Defender valores religiosos , claro! E isso especialmente quando envolve quem não tem condição efetiva de ter o mesmo tratamento.


Eu gosto mais de escrever historinhas de ficção, mas toda vez que eu vejo ou ouço algum imbecil, sobe um troço inexplicável que me tira da vibe criativa e me empurra pro teclado reativo.

E nesta semana o nefasto assassinato dis três médicos na Barra e a quase imediata reação de alguns imbecis odiosos, por haver entre eles um irmão da deputada Sâmia Bomfim, figura notável da esquerda nacional, mexeu com os meus nervos.


Um caso também notável de racismo aqui em Santa Teresa me deu a triste certeza de que os imbecis envelhecem.


Meu medo era, e segue sendo, me tornar um deles. Isso não deve acontecer. Mas a vida com eles no entorno e ainda o temor que tenho das consequências de seus atos, me fez uma espécie de detector informal de imbecis. Não precisa muito pra que eu detecte a presença e ligue o alarme.

Eles estão em toda parte, repito. Nos ataques do Hamas a Israel, que vai resultar em incontáveis mortes dentre os civis palestinos que ele, Hamas, diz defender e na dancinha sensual num evento do Ministério da Saúde do Brasil, incontestavelmente bem dirigido pela Dra. Nísia Trindade, após uma temporada de imbecis se revezando no comando da pasta. Eles estão por aí.


Na Argentina, um deles é fortíssimo candidato à presidência. E o imbecil alaranjado pode voltar, com força, a dirigir – rumo ao abismo – o grande irmão do norte.


Me orgulho de tentar não ser um imbecil e continuo sendo um militante da ignorância relativa, a única garantia efetiva de que é possível aprender alguma coisa.


Talvez eu esteja me tornando um especialista em imbecis. Também não planejei isso pra mim, mas é impressionante o que faz o tal do instinto de sobrevivência...


Rio de Janeiro, outubro de 2023.


 

Economia Criativa


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