FLA X FLU


Paulo Castro / Paulinho do Cavaco



Nove horas de aula. Volta pra casa. Engarrafamento. Estacionamento de idoso ocupado por algum filho da puta, só dizendo assim, que não respeita o direito dos idosos. Duas voltas no quarteirão até encontrar uma vaga um pouco distante. O achaque do guardador: “Deixa o do café”. “Moro aqui”, responde e sai sem deixar nada. Vontade de enfiar a porrada nele. Só vontade: o cara é grande e mal encarado. Entra no prédio, ansioso para tomar um banho, fazer um lanche, conversar sobre o dia com a esposa e se jogar na cama. Elevador social parado: em manutenção diz o cartaz colado na porta. Pega o de serviço com Dona Neuza, a síndica, que explica: “O elevador parou entre o nono e o décimo, Já chamei o mecânico”. Faz uma cara de compreensão e salta no seu andar: o décimo.


Abre a porta de casa e ouve um grito: “Vô!”. Ela vem correndo e se joga num abraço apertado. Sente o seu coraçãozinho bater de emoção. Existe o amor de mãe, de filho, de esposa, de irmão, mas o amor de neta é insubstituível. A pequenina é “colada” com ele. Logo que acorda, vem para o quarto dos avós e, sem pedir licença, dona que é de tudo e de todos, coloca a tevê em um canal de desenho e, par