ERA UMA VEZ...



Léo Viana

Era uma vez um país distante, em que, há muito tempo atrás, sabiás cantavam no alto de palmeiras. Nesse mesmo país, onde Aurora, se fosse sincera, que bom seria, e onde a turma do funil chegava sem avisar, todo mundo bebendo e ninguém dormindo no ponto, era comum a dúvida quanto a que roupa usar pra ir ao samba pro qual se fosse convidado.


Era lá que o bonde São Januário levava operários pra trabalhar; era lá também que se dizia que meu coração, não sei por quê, batia feliz ao te ver. Sassaricando, lá, todo mundo levava a vida no arame, mas não se perdia a chance de dançar o balancê!

Alalaô! Era lá que, no calor que queimava a nossa cara, parecíamos estar atravessando o deserto do Saara. Mas as águas estavam sempre prestes a rolar e geralmente não sobrava garrafa cheia. Um alívio.


O assum preto, cego, coitado, não via nada, mas a asa branca fugia da seca. E sempre voltava. Se pegava um Ita no norte pra ir morar no Rio. Mas a maioria só deixaria – se deixasse – o Cariri no último pau de arara.