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Deus e Dor




Hoje, assisti, por indicação da namorada do meu filho, um programa da plataforma Gaya, sobre BRM (body recall memory, ou busca da memória do corpo). Havia algum tempo eu tinha visto, anunciado nesta mesma plataforma, um filme intitulado “aprenda a fazer milagres” e por isso desisti dos episódios da Gaya.


Como sempre disse meu irmão, os americanos acham que pode se aprender tudo. Isso é positivo porque expressa a sua prontidão em dar mérito ao esforço, a tenacidade, a fé em si mesmo e no que decidimos investir nossos esforços. Mas não acredito que poderes sobre naturais como fazer milagres possa ser apreendido e pedagogicamente posto em prática, então parei de assistir Gaya. Mas hoje, não quis julgar a priori o que alguém de quem gosto recomendou, e vimos o programa juntas.


A memória do corpo foi discorrida por Proust na famosa “ouverture” da Recherche, quando o narrador acorda na metade da noite e, entre o sono e a vigília, viaja pelo universo de sua vida ao lembrar-se dos inúmeros quartos em que já havia dormido e a tentar identificar aquele em que se encontrava. É então que Proust bota a memória do corpo acima da memoria da mente, e começa a deduzir posições de móveis através da posição de partes de seu corpo, que apontavam para esses moveis nesse ou naquele quarto.


Pra resumir, Proust, nessa ouverture, viaja no tempo e no espaço, mostrando a relatividade tanto de um quanto de outro par rapport `a sua verdade subjetiva, que mostrava serem todos igualmente presentes e, portanto, atemporais, válidos e reais. Não separando as informações da mente das que obtemos pelo corpo, seu holismo me impressionou. Pois enquanto a civilização ocidental, com a ciência e a racionalidade que a rege, tudo separa dentro de conceitos que são como cintos de castidade, como mente vs corpo, sendo a mente aquilo que pensa e o corpo aquilo que sente, Proust fala naturalmente da memoria do corpo, da “mente” do corpo.


No programa, discorrido por Jonathan Tripod, que já curou várias pessoas de traumas físicos de que não conseguiam se lembrar e tampouco superar, havendo se tornado vítimas das próprias defesas que construíram em torno desses traumas, ele explicou que a dor física causada quando nos machucamos, atua como uma defesa que passa a travar a energia do corpo inteiro a passar por ali. A pessoa se defende e se tranca, por não querer passar de novo por aquela dor. Não se consegue ficar desarmado. E assim vai se vivendo sob uma bagagem de defesas que construímos e que pesam sobre nós, sem por isso nos curar. Jonathan explica que para acessar esse tipo de memória reprimida que causa essas defesas é necessário que a pessoa não só esteja disposta a mergulhar em si mesma, como a ter o toque leve e amoroso do terapeuta, durante o qual o corpo se liberta e até mesmo se deixa expressar através de movimentos inesperados.


De novo, lembrei-me de Proust. De acordo com o escritor, o único modo de superar qualquer tipo de sofrimento é exauri-lo, quer dizer, vive-lo ao máximo. Proust tinha como toque amoroso o seu próprio autoconhecimento, na humildade e a coragem de sua própria inteligência. Devido à constante iminência de seus ataques quase fatais de sufocamento asmático, os quais ele nunca sabia se poderia sobreviver, durante toda a sua vida esteve de cara pra morte e não pensava duas vezes quando tinha que olhar nos olhos de qualquer tipo de dor. Olhar, vivenciar, exaurir, superar e renascer. Metaforicamente, ressuscitar.


O programa dizia que as pessoas se sentiam renascer ao confrontar suas dores e superar seus traumas. Jonathan afirmava que a nossa capacidade de encarar, transformar, e se curar é natural embora nem sempre aconteça naturalmente.


Como Simone Weil, eu acho que independentemente de seus milagres e ressurreição, a santidade de Cristo já emana da sua vida, sua coragem, coerência, da generosidade com que viveu, assim como da sua autenticidade e sincronia com seu destino (a mais profunda verdade dentro um ser). Mas quando pensei no “toque amoroso”, considerei seus milagres e ressurreição. A cura enquanto renascer tem uma dimensão milagrosa, pois o confronto com ela envolve coragem- firmeza de si- ao mesmo tempo que entrega.


Na identificação desses dois extremos nos abrimos para Deus, para o nosso renascer e ressuscitar de nossas cinzas. Pois não há possibilidade de entrega sem que se esteja integralmente presente dentro de si. Firme e forte.


Cristo nada temia. Sua coragem era a entrega da fé ao mesmo tempo que autoconvicção; desapego de si e identificação com o além de si, com o divino. Aqueles que curava sentiam o seu toque de amor, a aceitação e compreensão incondicional que ele tinha de todo o ser deles. O toque de Cristo resgatava cada um por completo, permitindo-os encarar a dor de seu trauma por mais escondida que estivesse, e se superar. Por isso, Cristo não dizia, “Eu te curei”, mas “A tua fé te curou.”

 

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