Da Antiga


Paulo Castro, o Paulinho do Cavaco

Abriu a porta para que ela passasse, dizendo: "Tenha a bondade". A jovem respondeu gentilmente, com um sorriso: "Obrigada". E logo completou, perguntando e, ao mesmo tempo, afirmando: "O senhor é "da antiga", né?˜. Entrou também na loja, mas seu pensamento não estava mais no que ia comprar, e, sim, na expressão com que ela o qualificou. Não foi agressiva, pelo contrário: o ˜da antiga˜ soou respeitosa e carinhosamente. Pela idade dela, no máximo uns 25 anos, devia ter ouvido de algum familiar mais velho ou, quem sabe, do samba do Nei Lopes. Pouco provável, mas não impossível. Comprou o de que precisava, procurou pela moça, para matar a curiosidade, mas não a encontrou mais.


Na rua, indo pra casa, teve como companhia a expressão adjetiva. Será que ela realmente combinava com o seu perfil, com suas atitudes? Seria ele realmente ˜da antiga˜? Ser ou não ser: eis a questão! Nada ameaçador nem depreciativo, mas merecia esclarecimento. Ela, a moça, sem querer, colocou uma questão no seu dia.


Desviou-se do seu caminho e dirigiu-se para a esquina, ou melhor, para o bar da esquina