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Confesso que Cheguei.

Era um garoto que como eu gostava de correr pelas ruas de Campo Grande queimando os pés no pixe que derretia com o calor.


Gostava também de brincar de pique e caixa de fósforos – aquele jogo que a gente botava um palito na lateral e ficava batendo pra ela rodar no ar (zero pontos se caísse deitada, cinco se fosse de lado, dez em pé e 15 se apoiada no palito) .


Adorava soltar pipa, jogar bola de gude e futebol – e era ruim nos três esportes.

Um garoto que adorava subir em árvores pra comer frutas, embora muitas vezes não soubesse como descer.

Era um garoto que gostava de sentar no telhado pra comer carambola (o que levava tia Neném à loucura) ou abricó (o que levava a vizinha à loucura).


Amava comer cachorro quente com vitamina no Ipê.

Metido a brigão.

Um pião nas mãos do irmão Kakalo.

Um garotinho que gostava de bancar o responsável e ir comprar o pão do café da manhã na estação de Campo Grande.

O mesmo que um dia fez uma boa faxina no banheiro de casa e perguntou à mãe Zeli, quando ela elogiou o trabalho:

- Quanto você acha que vale?




Ou que surpreendeu o pai, depois de perturbá-lo tanto que, pela primeira e única vez o viu levantar a mão para um tapa:

- Olha a figura do covarde. Desse tamanho e vai bater num garotinho.

Aquele menino que amava a praia de Copacabana e, mais tarde, pular das pedras do Arpoador.


Aquele bobo que, aos 11 anos, sentiu-se um homenzinho por começar a fumar.

O que perdeu a virgindade aos 14 anos.

Um garoto que como eu gostava de samba e queria ser poeta.

Que sonhou tão intensamente em ter um casal de filhos, que acabou tendo.

O garoto que amou tanto as mulheres e tantas mulheres que acabou fazendo um monte de besteiras.


E amou também as mesas de botequins e as madrugadas, onde quase se perdeu na vida – e algumas vezes quase perdeu a própria vida.

O caçula de cinco filhos (Vanda, Nal, Graça, Kakalo e ele), que aprontou tanto, mas tanto, a ponto de acreditar que não iria muito longe, mas cujo anjo da guarda, o Leopoldo, provou ser um dos melhores lá da fábrica de anjos.


Que conseguiu fazer muitas amizades ao longo da vida e acabou compondo muitos sambas, como queria.

Era um garoto gente boa no final das contas.


Um garoto que como eu, no dia 27 de abril de 2021, quando essa crônica for publicada, estará completando 65 anos, com um corpinho de 73.


É, confesso que cheguei.


Até a próxima esquina.


 

LANCAMENTO DO CD " ...de Samba e Poesia, de Mario Lago Filho, pela Cedro Rosa.




 


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