Confesso que Cheguei.

Era um garoto que como eu gostava de correr pelas ruas de Campo Grande queimando os pés no pixe que derretia com o calor.


Gostava também de brincar de pique e caixa de fósforos – aquele jogo que a gente botava um palito na lateral e ficava batendo pra ela rodar no ar (zero pontos se caísse deitada, cinco se fosse de lado, dez em pé e 15 se apoiada no palito) .


Adorava soltar pipa, jogar bola de gude e futebol – e era ruim nos três esportes.

Um garoto que adorava subir em árvores pra comer frutas, embora muitas vezes não soubesse como descer.

Era um garoto que gostava de sentar no telhado pra comer carambola (o que levava tia Neném à loucura) ou abricó (o que levava a vizinha à loucura).


Amava comer cachorro quente com vitamina no Ipê.

Metido a brigão.

Um pião nas mãos do irmão Kakalo.

Um garotinho que gostava de bancar o responsável e ir comprar o pão do café da manhã na estação de Campo Grande.

O mesmo que um dia fez uma boa faxina no banheiro de casa e perguntou à mãe Zeli, quando ela elogiou o trabalho: