Alzheimer


Alguma coisa não estava certa naquela manhã de 27 de junho.


Ela nunca esquecia um aniversário, alguma coisa deve ter acontecido para ela não ligar para primogênito de seu afilhado.

Era sempre da mesma forma, logo após o “alô” começava o parabéns a você, sempre com aquela voz fininha, por vezes irritante, e com direito a música inteira...


“Você precisa ir ver sua madrinha!”

Vou ligar mais tarde.

“Não, você precisa ir até lá.”

Tá bom eu vou!


Ela nunca se casou, não teve filhos, seu maior amor era seu afilhado número 1, o primeiro, que aconteceu por causa da amizade com sua mãe, que lhe prometeu “dar” seu primeiro filho para ela batizar.