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A pandemia acabou. Hora de acordar do pesadelo




Outro dia um amigo fez o comentário que me realinhou no contexto. Ele disse de chofre: “a pandemia acabou. A Covid, não. Ela continua, mas a pandemia já era!”. Falou com uma simplicidade escancarada, o amigo. A observação foi motivada para justificar o planejamento de um encontro para uma cervejada. O que não acontecia há mais de dois anos. Foi como uma brisa agradável que me acariciou e me trouxe uma leveza inesperada. Sim, até podemos nos abraçar (claro, se todos vacinados). E até já podemos ir para as ruas contrariar o inominável inquilino do Planalto, que sempre apostou na solidão coletiva parida e sustentada na pandemia. Esse verme, sim, preocupa mais que o Vírus.


Mas sem risos desbragados, amigo. A Covid taí e por esses dias deu mais uma leve acelerada voltando a matar. Não podemos esquecer que já foram mais de 665 mil mortos. Que o Brasil foi o país que pior enfrentou a doença e só perde em número de mortos para os Estados Unidos que tem uma população cinquenta por cento maior que a nossa. Quantas famílias destroçadas no período! Algumas previsões nos dizem que teremos que conviver com a doença como convivemos com outras ameaças, razoavelmente controladas. Então é isso. Continuamos nossa viagem a bordo dessa nave azul (não plana) que vara o universo infinito. As ameaças surgem, como na velha série de TV, ‘Perdidos no Espaço’. No final do episódio a família Robinson sempre se saia bem, sobrevivia e continuava a saga. A série da TV acabou. A nossa saga continua até quem sabe, outubro. Como eu queria acreditar plenamente que esse terrível episódio acabará no fim do ano.


Artistas da Baixada Fluminense, o fino talento musical nesta playlist da Spotify.


O papo da semana fugiu do tradicional “esbarrão” com alguma celebridade. Geralmente da música. Mergulhamos numa reflexão, não tão profunda, pois me faltam equipamentos para tal, mas que é possível a um cidadão com alguma informação. E a motivação foi a partir da história me contada por outro amigo. Pra eu entender mais como os problemas podem ser relativizados e classificados por uma ordem estabelecida por variantes proporcionais. Eu não via esse amigo há algum tempo, apesar de morar numa cidade de média a pequena. A pandemia afastou as pessoas. Esse amigo, contraiu a Covid-19 logo no início quando se conhecia muito menos do que sabemos agora. Ele teve problemas respiratórios e uma série de sintomas que em dado momento o levaram a crer que estava no fim. Não é nenhum garoto. Convicto que partiria dessa pra melhor, resolveu confessar à mulher que tinha um tanto de dinheiro guardado, que tinha uma aposentadoria extra e que tudo ficaria para ela e para os filhos. Passou o tempo e, vocês já deduziram logicamente, que ele não morreu. E aí como é que fica? Sua mulher agora quer saber do dinheiro e ele vive a tentar se explicar alegando que o que confessara era falso, resultado de um delírio provocado pela doença.


Um problemão proporcionalmente falando. Esse amigo trabalhou numa grande empresa estatal, com bom salário etc. O problema provocado pela doença no caso dele, chega a ser risível. Não dá para comparar com a maioria dos brasileiros que nesses últimos anos foram jogados no ralo da existência. Começou com Michel Temer tirando direitos trabalhistas e foi intensificado às raias do insuportável pelo governo neofascista ao qual estamos subjugados. Milhões de desempregados, famílias destruídas, milhares de órfãos. A miséria se alastrando e um nicho ínfimo de bilionários alisando a barriga próspera. E isso num país cheio de riquezas, em quantidade e variedade e, no qual se plantando tudo dá, disse o profético Vaz de Caminha. Aqui se planta a ignorância, a desinformação e se colhe hordas de alienados, de neonazistas armados, de homofóbicos, racistas, agindo à solta, como se viu semana passada com os motoqueiros orgulhosos da suástica na camiseta, que invadiram o bar próximo a Unicamp humilhando os homens pretos presentes, dando tiros para o ar e agredindo fisicamente o proprietário do estabelecimento. Que filme ruim é esse, minha gente?!


A pandemia acabou. Podemos ir para as ruas. Mas sem ilusões. Não vivemos numa democracia. A repressão virá de formas variadas e não apenas de fardados. Hoje há diferentes tribos armadas. É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte, como já se cantou, mas não podemos dar mole pra Kojak. Unidos na nossa bolha e buscando furar outras bolhas. Esse é o trabalho.


“Sonhei que despertei / E me dei conta que acordei noutro país

Onde as pessoas tinham balas de fuzis

E o povo andava sem razão de ser feliz

Era um país fora da lei / Sem diretriz

Embarcação sem direção / Tentando em vão

Colher a paz plantando a guerra” (Sonho Estranho – Chico Alves/Moacyr Luz)


 

Lais Amaral Jr e Evandro Lima em A Dança da Porta Bandeira


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