Viva o Rio de Janeiro ! Viva a Casa da Bossa Nova – TOCA do VINICIUS !


Carlos Alberto Afonso e sua barraquinha, com o ABC do Vinicius

Acompanhado do Bosco – um auxiliar boa-praça do meu saudoso cunhado Antonio – cheguei no calçadão do ARPOADOR, naquele tão esperado finalzinho de tarde, em plena reta final do verão. E o movimento típico das sextas-feiras, estava maior, pela expectativa do que, mais dali a um pouquinho, aconteceria lá na PEDRA, um Palco-Altar, em que, o delicioso som de TOM JOBIM e BANDA NOVA estava sendo passado para o concerto de celebração à Cidade do Rio de Janeiro pelo seu 426º aniversário de fundação : afinal de contas, era Primeiro de Março, no ainda recém chegado 1991.


A “mala-e-cuia” com que chegáramos compunha-se de 100 exemplares do livro ABC DE VINICIUS DE MORAES, que, ali mesmo, eu lancei – naquela ocasião-data-e-circunstância - e da velha Kombi que nos transportava – também, ela, tanto quanto o auxiliar já mencionado, cedida pelo meu parceiro de sonhos, que, por sinal, me lembrava muito o amado Poeta, quer fisionomicamente, quer melomaniacamente ou, até, alcoolicamente, também, destoando, apenas, na altura física, que, com alguma força-de-expressão, eu diria “aproximar-se do dobro” (rsrsrsr) da estatura física do “meão” – como se descrevera a si mesmo, o vate, em poético verso auto-biográfico.


O LIVRO em lançamento, exponho, nasceu, ao longo do tempo, desde o ano de 1967, quando, em dramatização estudantil no Teatro do Instituto de Educação, na Tijuca, ainda estudante de pré-vestibular, tive a atenção chamada para minha colega Dalva, que dramatizava um Poema de Vinicius de Moraes intitulado ‘O Poeta e a Rosa’. E tive minha atenção muito mais, ainda, chamada para o próprio Poema que a excelente intérprete Dalva dramatizava. Um Poema, que, a despeito de curto, guardando uma enciclopédia inteira de ensinamentos, denúncias, debates e inesgotáveis propostas de reflexão, tornou-se farol de minha adolescência, maturidade e velhice. E passei a dividir os momentos de leitura poética até então dedicados, principalmente, a João Cabral de Mello Neto, Drummond e Ferreira Gullar, com o Poeta amado.


De tal forma que, no que restava dos anos 60 – estávamos, repito, em 1967 – acabei-me aproximando do que escrevia em versos e prosa, do que produzia para o cancioneiro e – muito importante – do-que-e-como PENSAVA Vinicius de Moraes, por cuja ATIVIDADE INTELECTUAL - pela capacidade de reflexão, pelo universo de linguagem e pelo desempenho da língua – eu me impressionara muito. Leia-se, a título de exemplo, a CONTRACAPA PARA PAUL WINTER. E terão a CONSIDERAÇÃO PLENA e PERFEITA da CONSCIÊNCIA CONCEITUAL dessa LINGUAGEM MUSICAL DENOMINADA BOSSA NOVA. E sabemos que, apesar de ser “muito musical” como repetia Tom Jobim, o Vinicius não era um Músico. E não buscava nem pleiteava sê-lo. Mas, logo meu percurso chegou aos ANOS 70 quando, em 1 década, tornei-me operário da caneta, escrevendo, a correspondência da Associação Brasileira de Imprensa – ABI, minha primeira namorada e carteira de trabalho assinada. E tornei-me operário da Sala-de-Aula, me despencando apaixonadamente, de Copacabana – onde, então, morava – para Madureira, onde uma Escola me abrira as portas para casar de vez, em indissolúvel união, com a dupla ENSINO-EDUCAÇÃO e para casar com uma aluna, que me atura há 49 anos. E fui morar em Madureira, onde militei na política partidária pelo PDT e na política comunitária, tendo sido vice-presidente de cultura do Madureira Esporte Clube, vice-presidente de assuntos comunitários do Rotary Clube de Madureira, secretário-geral da Associação Comercial de Madureira e, Diretor do 12º DEC (grupo regional de Escolas Municipais que passaram a se chamar CRE, a partir de 1992).


Pois, dirigindo um DEC com 32 Escolas Municipais, falei o mais alto que pude – está em O Globo – que me dedicaria a derrubar o muro que excluía os segmentos mais populares da Sociedade dos públicos-alvo de Culturas acadêmica ou sócio-economicamente mais e melhor providas. Declarei em entrevista para o Jornal, em 1987, que levaria, por exemplo, “Vinicius de Moraes para as ruas de Madureira”, libertando-o do feudo. Mas, ainda nos anos 70, no último ano daquela década, em 1979, VINICIUS DE MORAES, no auge de sua notoriedade - e último ano inteiro de sua vida - foi visitar o ABC PAULISTA no 1º de Maio do TRABALHADOR, quando, em praça pública, participou da grande ENCONTRO POPULAR.


No palanque, entre o Prefeito Tito Costa e o Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Luis Inácio da Silva Lula, o POETA VINICIUS DE MORAES, que nasceu e viveu no seio da pequeno-burguesia carioca, recitou seu famoso Poema O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO, momento registrado em foto, que me foi doada pela viúva do Poeta, a Produtora Cultural GILDA QUEIRÓS MATTOSO, a quem sou perpetuamente agradecido.


No início dos Anos 80, logo após sua morte (9 de Julho de 1980), lembrando daquela mesma iniciativa DIDÁTICA de que eu fora aluno beneficiário, em 1967 (aquele ano da Dalva recitando O POETA E A ROSA), eu convidei meus alunos do Curso de Pré-Vestibular GPI, a montarmos uma dramatização poético-musical com o tema VINICIUS DE MORAES. E apresentamos este trabalho lindo, em 1981 (há 40 anos passados), naquele mesmo Teatro do Instituto de Educação, na Tijuca. O resultado foi maravilhoso e não poderia ter sido diferente. Novamente, em 1985, repeti a fórmula junto com alunos do outro Curso de Pré-Vestibular em que trabalhei : o MV1. E, no último triênio dos Anos 80, comecei a produzir, o mais didaticamente possível, um painel de PASSAGENS VINICIANAS, que eu pinçar