Quem dera



Quem dera eu tivesse a sensibilidade de um compositor, buscando versos, construindo histórias, inventando amores, detalhando casos, quem sabe assim eu pudesse escrever de um jeito que tocasse o coração das pessoas, que alegrasse seus dias, que regozijasse suas almas.

Quem dera eu tivesse a capacidade de me expressar como se expressam os poetas, os mais famosos, os anônimos, os brilhantes, os humildes, que rimam com maestria, que são maestros na escrita sem a necessidade de rimar, encantando adultos, iniciando as crianças no encanto da poesia.


Quem dera eu tivesse nascido com a capacidade de cantar, emitir notas graves, talvez agudos inimagináveis, poder emocionar plateias, fazer companhia para pessoas solitárias, seja no rádio do carro, seja em seu aplicativo preferido ou nos discos antigos, nas fitas cassetes.

Quem dera eu tivesse a capacidade e a paciência de ensinar, abrir os olhos das pessoas para coisas explícitas, para coisas não tão explícitas, para coisas obscuras, ser referência, parar para ouvir, corrigir, discutir, buscar um consenso, aprender.


Quem dera eu tivesse a genialidade de George Orwell ou Ray Bradbury, poder imaginar um futuro distópico, transformar essas ideias em textos que se perpetuaram através dos anos graças a uma sagacidade assustadora, mas ao mesmo tempo fascinante e intrigante.