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Folhetim quinzenal em 7 capítulos

Capítulo 3

 

Em casa Benjamim ligou o fiel transglobe, de válvulas, que o acompanha desde priscas eras. É praticamente automático: Em casa, rádio ligado. A voz empostada e familiar do locutor: “Desaba casarão no centro histórico da cidade. Ouça depois dos comerciais”. ‘Ôpa, isso é grave!’. Benjamim se ajeitou na cadeira junto à pequena cômoda. Os comerciais também já eram familiares: o supermercado do Geninho, no bairro Paraíso, está com uma promoção na compra de sabão em pó e a empresa Fácil-Fácil promete dinheiro via empréstimo, sem burocracias, para aposentados. “Armadilha de agiota. Não caio nessas”, Benjamim fala alto consigo mesmo.

Ao ouvir a notícia lembrou que naquele dia, o radialista não saíra com o sorriso habitual ao ouvir o Tango falando de um malandro, um garufa. Benjamin já percebera que quando o homem saía feliz, as notícias seriam boas. Quando era Chorinho então, isso era certo. Deve ser por isso que agora o radialista dizia que um antigo casarão da Praça da Matriz desabara na madrugada. O prédio, que outrora abrigara uma tradicional loja de secos e molhados, havia algum tempo estava desocupado. ‘E os vereadores preocupados com disputas internas de poder’. O Centro Histórico da cidade caindo. A história se apagando. Logo vem o esquecimento, que é pior que a morte.    


Uma tristeza isso. Os velhos prédios, com suas identidades contam a história de todos nós, nisso o velho Benjamim acredita piamente. Os peritos ainda não haviam chegado ao motivo do desabamento. “Abandono, claro”, deduziu Benjamim. E ruminou sua tese de que há gente que acredita verdadeiramente que a vida começou a partir do dia em que elas nasceram. Benjamim crê que toda cidade séria que tem um Centro Histórico, o preserva. É memória coletiva. E memória é um direito. Lembrou do incêndio da Notre-Dame da Conceição na década de 1940. “Recuperada. Outros tempos”. Desligou o rádio.  


Benjamim lembra que naquela manhã ao retornar do Chico Francisco e tangenciar a mesa dos aposentados no Café de Flore, ouvira algo, para ele, incompreensível: “O homem falou pra não tomar a vacina”. E alguém completou: “É isso aí. Nada de vacina”. Aquela turma não deu a mínima para o desabamento do casarão e agora vem com essa!? Benjamim desconhecia o tal ‘homem’, mas já não gostou dele. Sacode a mente e vai procurar o disco para o dia seguinte. “Esse! Apanhei te Cavaquinho do genial Ernesto Nazareth. O locutor vai ficar feliz e as notícias serão melhores amanhã”. Disso ele tinha certeza. Só não podia prever a visita que teria no dia seguinte. E que surpresa!  

 

"Ainda me lembro,

Do meu tempo de criança,

Quando entrava numa dança

Toda cheia de esperança.


De chinelinho e de trança,

Com Mané e o Zé da França,

Nunca Tive na lembrança

De rever esse chorinho.


E hoje ouvindo,

Neste choro a voz do pinho,

Relembrando o bom tempinho,

Da mamãe e do maninho,


Hoje sou ave sem ninho,Sem família, sem carinho,

Mas sou bem feliz ouvindo,

O "Apanhei-te Cavaquinho" 

 


(Apanhei te Cavaquinho-Ernesto Nazareth que tempos depois recebeu letra de Darci de Oliveira e foi gravado por Ademilde Fonseca – a Rainha do Choro)


 

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