PARIS, por Sylvia Bandeira


foto: Antônio Guerreiro



A menina, quase adolescente, vivia em Paris com os pais e irmão. Ela gostava de explorar pelo lado de fora o prédio onde morava. Circundava toda a extensão do apartamento de mansarda, de pé- direito alto, equilibrando-se numa estreita platibanda enquanto se apoiava nos parapeitos de janelas e paredes que atravessava no malabarismo irresponsável do jovem que se crê eterno e brinca com o perigo.


Seu maior desejo sempre fora voar. Um dia se aventurou até o apartamento da vizinha que estava na cozinha e, num francês impecável, perguntou as horas. A vizinha respondeu tranquilamente, sem esboçar a menor surpresa com a menina equilibrista, e voltou aos seus afazeres.

Em outro, surpreendeu o irmão que tinha aulas de francês com Mademoiselle Ritère. Ele olhou para a irmã assustado enquanto a professora apenas sorria, alheia ao risco que a menina corria. Ela se cansou da brincadeira.