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O CACHORRO QUE SE RECUSOU A MORRER


fonte: Fernando Valle

Na noite de 6 de janeiro, o Teatro Brigitte Blair, em Copacabana, recebe a estreia nacional do espetáculo O cachorro que se recusou a morrer, novo espetáculo multimídia do ator-autor-poeta Samir Murad, que divide a direção com Delson Antunes. O argumento da peça deriva das memórias e das histórias contadas pelo pai de Samir: um imigrante libanês em sua luta pela sobrevivência numa terra estranha. Conflito, êxodo, o novo mundo, casamento por encomenda, saúde mental afetada, são conteúdos que, como um mascate andarilho, o ator mambembe carrega em sua mala e que pretende vender ao seu público. Em cena, a memória afetiva mistura tempos e espaços, tocando uma dimensão onírica do real. Dessas referências nasce um contato intimista e revelador entre artista, teatro e espectador. A partir de fevereiro, o espetáculo inicia a circulação pelo Município e Estado do Rio de Janeiro.

 

Gisa Nogueira, a nobreza do samba.


 

– Quero lhes apresentar essa história porque acredito que ela cumpre a função essencial do Teatro: emocionar e provocar uma reflexão sobre a condição humana. Depois da trilogia Teatro, Mito e Genealogia – a partir de uma pesquisa de linguagem cênica, baseada em conceitos e práticas teatrais de Antonin Artaud –, representada pelos meus trabalhos anteriores: Para Acabar de Vez com o Julgamento de Artaud (2001); Édipo e seus Duplos (2018); e Cícero - A Anarquia de um Corpo Santo (2019), proponho com O cachorro que se recusou a morrer uma nova forma de narrativa, mais simples, mais contida e essencial. Meu foco, aqui, é a alma do texto. O diálogo com o público. Por trás de uma cena de família (da minha família), muitos aspectos da cultura árabe – alguns deles em gritantes conflitos com os costumes brasileiros – precisam ser revisitados. Começando pela submissão da mulher, a intolerância religiosa, o poder tribal do patriarca –, declara Samir Murad. “... e ao longe se escutava o cachorro que se recusou a morrer.” Trecho de poema do livro o Retorno de Netuno, de Samir Murad. Um casamento por encomenda e uma tríade formada pelo pai, a mãe e a irmã mais velha, afetada mentalmente (inclusive por internações) pelo casamento sem amor dos pais. Marcas que não desvanecem e perpassam por toda a relação familiar do autor-ator, extraídas não apenas de suas memórias, mas de relatos gravados por seu próprio pai antes de falecer. Conflitos que estão em cada um de nós e ajudarão a resgatar sentimentos no público, por meio de recursos cênicos despojados, apoiados principalmente pelo trabalho de corpo e voz do ator. Assim o texto oscila entre o drama e o humor, trazendo à cena uma cultura machista, forjada em dogmas religiosos que até hoje permeiam a maioria dos lares brasileiros. Em alguns momentos, projeções mesclam imagens criadas com fotos reais antigas, assim como da casa onde tudo se passou, o que acentua o clima dos escombros da memória. A forte presença da trilha sonora, marca a cultura árabe familiar. Não faltam ao espetáculo os gestos, a mímica e as pantomimas que emprestam emoção à palavra.

 

Música


 

Colóquio entre libaneses e judeus Com vistas a promover a aproximação de libaneses e judeus, em uma ação social que tem o Teatro como veículo de discussão para uma temática comum a ambos os povos, que é a imigração e o consequente choque de culturas, no início de fevereiro o espetáculo realizará três apresentações na Associação Sholem Aleichem - ASA, localizado na Rua São Clemente, 155, Botafogo, onde abriga um rico e vasto movimento cultural sempre com temas atuais que promovem discussões sobre o panorama sócio-político e cultural de nossa cidade e por extensão do país. Reforçando essa tendência o espetáculo abrirá um debate público após cada sessão com convidados especializados para o colóquio. Temporada de estreia e circulação O cachorro que se recusou a morrer foi contemplado com o patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através do Edital Retomada Cultural RJ2. A temporada de estreia (nacional) acontecerá a partir de 6 de janeiro, no Teatro Brigitte Blair, em Copacabana, próximo a Estação Cantagalo do Metrô. A partir de fevereiro, o espetáculo será apresentado em circulação pelo Município e Estado do Rio de Janeiro. Outras temporadas estão sendo programadas. Minibio de Samir Murad Ator de teatro, cinema e televisão, autor, diretor, dublador e professor, Samir Murad é formado pela UNIRIO, com pós-graduação na UFRJ e mestrado pela UNIRIO. No cinema, participou de diversos longas e curtas nacionais premiados. Na televisão, fez inúmeras participações na TV Globo, TV Record, Netflix e Canal Brasil. Trabalhou como dublador na Herbert Richers. Foi professor da Faculdade CAL de Artes Cênicas. Fundou a companhia teatral “Cambaleei, mas não caí...”, que tem, em Antonin Artaud sua principal referência de pesquisa de linguagem cênica e que inaugura com otexto infanto-juvenil de sua autoria Além da lenda do Minotauro, que também dirigiu e que foi publicado. No teatro atuou sob adireção de Augusto Boal, Bibi Ferreira, Sérgio Britto, Miguel Falabella, Sidnei Cruz e Gustavo Paso entre outros. Em 2001, encenou seu primeiro trabalho solo Para acabar de vez com o julgamento de Artaud. Segundo a crítica Bárbara Heliodora, de O Globo, foi um dos dez melhores espetáculos do ano. Em 2008, escreveu e encenou seu segundo solo, Édipo e seus duplos, também publicado. Em 2017, encenou, também de sua autoria, O cão que sonhava lobos, um solo musical infantil, publicado com ilustrações. Em 2019, protagonizou a encenação de Educação Siberiana e estreou seu terceiro solo, Cícero – A anarquia de um Corpo Santo, que encerra a trilogia “Teatro, Mito e Genealogia” e que também virou livro. Em 2020, integra o elenco da novela Genesis da TV Record e apresenta seu primeiro livro de poemas e crônicas. Recentemente integrou o elenco do premiado espetáculo O Alienista (2022), sob direção de Gustavo Paso. Atualmente integra o elenco da nova novela Terra Vermelha, da TV Globo, que será lançada em 2023. Minibio de Delson Antunes Delson Antunes é diretor, ator, professor, dramaturgo e pesquisador de teatro. Licenciado em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília (UnB), concluiu Mestrado em Teatro pela UniRio, especializando-se em História do Teatro Musical Brasileiro, em 1996. Como ator, diretor e dramaturgo participou de mais de 80 espetáculos teatrais, apresentados em diversas cidades brasileiras.

 

Música.


 

Ficha técnica Criação, texto e atuação: Samir Murad Direção: Delson Antunes e Samir Murad Cenografia: José Dias Figurino e adereços: Karlla de Luca Iluminação: Thales Coutinho Trilha Sonora: André Poyart e Samir Murad Videocenário: Mayara Ferreira Assistente de direção: Gedivan de Albuquerque Assessoria de imprensa: Ney Motta Programação visual: Fernando Alax Fotos: Fernando Valle Mídias: Cia Teatral Cambaleei, mas não caí... Cenotécnico: Mario Pereira Costureira: Maria Helena Direção de produção: Fernando Alax Produção executiva: Wagner Uchoa Operação audiovisual: Mayara Ferreira Operação de luz: Hélio Malvino Realização: Cia Teatral Cambaleei, mas não caí... Serviço Estreia nacional: Dia 6 de janeiro de 2023. Temporada: 6, 13, 20 e 27 de janeiro, sextas-feiras, às 20h. Local: Teatro Brigitte Blair Endereço: Rua Miguel Lemos, 51-H, Copacabana, Rio de Janeiro. Próximo a Estação Cantagalo do Metrô Rio. Informações: 21 2521-2955 Valor do ingresso: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada) Vendas na bilheteria do Teatro ou pelo site https://www.sympla.com.br Capacidade de público: 200 pessoas Classificação: Não recomendado para menores de 10 anos. Duração: 75 minutos Drama Patrocínio

Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro

 


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