DINALVA

Paulo Castro, para CRIATIVOS!



Paulo Castro, o Paulinho do Cavaco

Nunca parou no Caruso, bar onde a turma da rua se reunia. Para tomar sua cerveja e seu conhaque, preferia o pequeno botequim da galeria. Chegava mais ou menos às nove da noite, dirigia-se para o fundo do balcão. Boa noite, Manoel! Não precisava pedir: as bebidas eram trazidas pelo próprio dono, que lhe dedicava uma atenção especial, já que, de vez em quando, se servia dos seus serviços profissionais, o que gerou, entre eles, uma bela amizade. Viúvo, sem filhos, morando sozinho, não tinha de dar satisfação pra ninguém. Boa noite, Dinalva!


Mulher madura, pequenos traços de envelhecimento no rosto, olhar cansado, mas firme e um sorriso aberto, que encantava quem o recebia: tinha um perfil agradável. Enquanto bebia, gostava de observar, discretamente, os clientes que ali paravam e o movimento da rua. Era cumprimentada por alguns que a conheciam de vista, mas evitavam se aproximar, respeitando a sua privacidade. A única vez que saiu do seu espaço e se envolveu em confusão foi para livrar um menino das mãos de um segurança da rua, que o agredia. “Se ele furtou, chame a polícia. Bater não pode, gritou!”. Sua fala fez efeito, apoiada por outras, e o garoto, que não tinha culpa provada, foi solto, sem antes ouvir várias ameaças caso retornasse àquela rua. Esse fato possibilitou a aproximaç