INDIVIDUAL E COLETIVO


Leo Viana


Aqui da minha posição – sentado em frente ao computador, com um horizonte limitado pelas paredes de casa já há algum tempo (tenho até uma vista boa, dá pra ver o mar ao longe, a cidade...) – enxergo duas grandes dificuldades, entre tantas outras para as quais nem é preciso olhar pra ver. A primeira é a dificuldade de compreensão do outro, a tão falada falta de empatia, cantada em verso e prosa nos últimos tempos. Tempos que, aliás, parecem últimos mesmo, como certamente pareceram os tempos da peste, do nazismo, do fascismo, do stalinismo, da inquisição e tantos outros últimos tempos que passaram. E a digressão é tão grande que quase perco a segunda grande dificuldade. Pois deriva da primeira, vem junto com a dificuldade de compreensão, e é essa vontade incontrolável – e notável em todas as partes envolvidas – de criar sua própria versão dos fatos.


Então, temos o cenário quase perfeito pra um embate sem vencedor ou vencidos. Ninguém quer entender – e reconheço que há coisas efetivamente muito complicadas pra se entender no mundo contemporâneo – e cada um quer criar a história a seu modo. Ou a sua própria narrativa, como se tornou clichê dizer.