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Celebridade por um dia. Por alguns minutos. Ou: como é incômodo não ser Paulo Coelho.


Lais Amaral Jr, à esquerda, com leitor na Bienal 2022


Nota Preliminar: hoje, quinta-feira, dia 7 de julho, estarei a partir das 16 horas, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, lançando meu livro Chico Buarque no Olho Mágico, no estande da Chiado Books. Há pouco mais de uma década lancei um livro de poesia, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, o que originou a crônica abaixo, e que mais tarde foi incluída no livro Fala, Botequim! Depois desse descarado comercial, vamos à tal crônica na qual o protagonista sou eu mesmo e cujo enredo, espero, não se repita no dia de hoje. Abraço!


“Domingo passado fui pela primeira vez à Bienal do Livro, no Rio. Sempre achei a Barra da Tijuca o fim do mundo. Frequentei umas quatro bienais em São Paulo, no Ibirapuera. Era até mais fácil ir. Mas dessa vez não teve jeito. Fui como autor. Que beleza! Saltei do ‘Cidade do Aço’ no terminal Alvorada e peguei um ônibus direto para a Bienal. Ônibus lotado. Queria degustar cada parte daquele dia. Pensei: ‘quero ouvir tudo que as pessoas falam a respeito de livros, autores, essas coisas’.

O trajeto não é longo até o Rio Centro e deu para ouvir bem, pelo menos um diálogo... Algo decepcionante:

- Sábado que vem é meu aniversário, vou comemorar no York.

- Onde é?

- No Norte Shopping. Adoro!! É muito gostoso lá

- Nunca fui

- Tem pizza de estrogonofe, pizza de batata frita...


Depois dessa ilustrativa manifestação gastro-literária desliguei os ouvidos e me concentrei na Bienal. Credenciamento como autor, sem fila, sem pagar ingresso. Senti-me o máximo. No crachá meu nome veio em letras grandes e a palavra ‘autor’, em letras menores. Bem que podia ser o contrário. Mas tudo bem. Eu caminhava no meio daquela gente toda fazendo um esforço pra alguém ler meu crachá: “AUTOR”. Percebi algumas (poucas) pessoas esticando o olhar. Liam AUTOR, olhavam o nome... Tudo bem. Estamos no Brasil. E escritor não é cantor sertanejo. Ainda mais escritor desconhecido.


Chegou o momento dos autógrafos. As pessoas passavam, viam a capa do livro (Água de Passarinho), pareciam, educadamente, gostar. Na certa imaginavam tratar-se de um tratado de ornitologia para crianças. Sorriam e seguiam para o estande ao lado onde eram distribuídos livros gratuitos sobre o Islam. Eu mesmo ganhei um Alcorão. Num outro estande colado, o personagem Cebolinha atraía a multidão. Era Maurício de Souza autografando uma Bíblia em quadrinhos. Concorrência bem desleal. Meia dúzia de livros depois (comprados por amigos) a carruagem voltou ser abóbora. É essencial ter amigos. Será que é por isso que Roberto Carlos insiste nesse negócio de querer ter um milhão deles? É deve ser.


Tudo bem. Mas amigos em São Paulo hoje, já vai ser mais difícil. Mas vamos lá!


“Se lembra do futuro

Que a gente combinou

Eu era tão criança e ainda sou

Querendo acreditar

Que o dia vai raiar

Só porque uma cantiga anunciou

Mas não me deixe assim, tão sozinho

A me torturar

Que um dia ele vai embora, maninha

Pra nunca mais voltar” (Maninha – Chico Buarque)



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