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Acho que o Brasil cabe no Balaio do Renato Teixeira





Como já disseram por aí, e eu até concordo, somos um pouco escravos de nossos hábitos. Nos domingos em que estou em casa, acordo, preparo o café e ligo a televisão na TV Cultura. Às 9 horas começa o programa Sr. Brasil, com o Rolando Boldrin. São programas repetidos, editados. Mas que dá para assistir mais de uma vez. Nesse caso a repetição não incomoda. Na minha opinião é o melhor programa de música e cultura popular veiculado pela TV em todos os tempos. Boldrin, nos deixou, como ele diria, “fora do combinado”. 


Nesse domingo alguma coisa mudou. Foi como se retirassem o chão de sob os pés dos meus hábitos dominicais. Fiz o café, fui para a sala. Liguei a TV. Às 9 horas começou o programa Balaio, a nova atração do horário, com Renato Teixeira e seu filho Chico Teixeira. Claro que eu sabia da novidade, amplamente divulgada durante a semana. Confesso que assisti entre curioso e quase melancólico. Um dia o Sr. Brasil sairia do ar, era inevitável. Dá para matar a saudade via Youtube. Mas o legal era ligar a TV e ver a quantidade de grandes talentos, muitos totalmente anônimos, mostrando a real dimensão musical do nosso país.    

 

Esse estado meio pra baixo levou um pequeno tranco de entusiasmo, quando antes do início do Balaio, um anúncio da emissora informou que o programa era dedicado a Rolando Boldrin. E um brevíssimo trecho do prefixo musical do Sr. Brasil me deu um tiquinho de alento. Me pareceu justo.

No geral gostei do programa que teve como convidado o Almir Sater, grande parceiro de Renato Teixeira. Gostei também da ideia de conversarem sobre a origem às canções. Senti falta foi do auditório embevecido e do cenário de empório e cheio de Brasis, do outro programa. Balaio tem público ao vivo também, numa arquibancada e a intuição me diz que o programa vai encorpar. Tomara.   


Há alguns anos, eu trabalhava num setor da prefeitura de Resende que organizava ou participava da organização de eventos. Em setembro, aniversário da cidade, acontece a maior festa popular que é a Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial. Como evento agropecuário, industrial e comercial, perdeu força nos últimos anos, se reduzindo a entretenimento, com uma linha de show de peso. Dependendo do gosto de cada um. Naquele ano a estrela principal era Renato Teixeira. Uma amiga de curso de graduação, Adriana Coutinho, super fá do artista, me pediu para levá-la ao camarim para conhecer pessoalmente seu ídolo. Ele nos recebeu com muita cortesia. Gostei. Conversamos, fizemos fotos e ele subiu ao palco. Adriana ficou Super satisfeita. Foi o meu esbarrão com esse grande nome da música sertaneja, da boa. Música caipira de verdade.


A dupla, que por dessas coincidências (ou não), se conheceu pessoalmente nos bastidores do programa Som Brasil, apresentado por Rolando Boldrin em 1986, tem um repertório portentoso. E não apenas as canções compostas por eles, que são lindíssimas. Gostei do programa, mas, alimentando a expectativa de que ele vá ser crecer, vai ganhar personalidade própria e preencher, até certo ponto, o vazio das manhãs dos meus domingos. O programa do Boldrin era um retrato musical de um Brasil que mal se ouve, que mal se vê atualmente. 


Se Balaio assumir parte desse compromisso, já estaremos no lucro. Quem sabe, o auditório apaixonado e um cenário aconchegante e envolvente como aquele (diferente, afinal a proposta é outra). Só vai faltar mesmo o humor singelo, chucro e quase inocente dos causos contados pelo Boldrin. Aí já seria pedir demais, não é moçada?! Quero continuar escravo do hábito de ligar a TV às 9 horas nas manhãs de domingo. Levo fé! Sem pressa. Vamos devagar.


“Ando devagar porque já tive pressa

E levo esse sorriso porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe

Só levo a certeza de que muito pouco sei

Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs

O sabor das massas e das maçãs

É preciso amor pra poder pulsar

É preciso paz pra poder sorrir

É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente

Compreender a marcha, ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro levando a boiada

Eu vou tocando os dias, pela longa estrada eu vou

Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs

O sabor das massas e das maçãs

É preciso amor pra poder pulsar

É preciso paz pra poder sorrir

É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora

Um dia a gente chega, no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história

E cada ser em si carrega o dom de ser capaz

De ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs

O sabor das massas e das maçãs

É preciso amor pra poder pulsar

É preciso paz pra poder sorrir

É preciso a chuva para florir” 


(Tocando em frente – Almir Sater/Renato Teixeira)


 

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