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A ESQUINA NÃO PERDOA


Paulo Castro, o Paulinho do Cavaco

“Filho da puuuuta!”. A turma da esquina fez silêncio. Os pedidos de chope ficaram entalados na garganta e os sussurros de amor, suspensos no ar. João Barbicha segurou o ˜três na sua mão˜ na porrinha e Manguito guardou o final da piada. A discussão do futebol parou. O grito veio do andar térreo do prédio de conjugados em frente à esquina.


De repente, Niltinho, mulato malandro manjado de Copa, segurança de boate no Lido, pulou a janela e saiu em disparada atravessando a rua, desaparecendo entre os passantes. Na janela, Dalva, sua mulher, a de papel passado, gritava “Volta se você é homem, seu filho da puuuuta!”.


A turma esperou pra ver se o filho da puuuuta voltava, mas nada aconteceu e, depois de algum tempo, a esquina retornou ao normal: novos pedidos de chope, sussurros dos namorados, a aposta do “três na sua mão” e “o foi não foi do gol anulado” e, agora, as gargalhadas dos sacanas que tiveram de mão beijada um assunto pra encher a cara e varar a madrugada.



Escute SAUDADE DE MEUS BOTEQUINS, de Luis Pimentel e Paulinho Cavaco, com Tomaz Miranda.




Sapato branco e preto, calça branca vincada, camisa preta, blazer branco. O mulato malandro manjado de Copa era elegante. Passava pela esquina com ginga no andar, dava um “Boa noite, Senhores” com a sua voz grave, que era respondido respeitosamente pela rapaziada: “Boa noite, Seu Nilton!”, “Salve, Seu Nílton!”, “Tudo bem, Seu Nílton?”. Pedia um conhaque duplo e se dirigia pro Lido, pra boate onde mantinha a ordem.


Poucas vezes teve de demonstrar seus conhecimentos de exímio capoeirista, botando pra correr os valentões. Quase sempre, levava o alterado no papo. Chegava junto e dizia algumas palavras ao pé do ouvido dele, que, como por milagre, se acalmava e, em alguns casos, até pedia desculpas. O que ele dizia ninguém sabia. Uns apostavam que era “vou te matar!”, “vou arrancar seus ovos!”; outros afirmavam que era “logo você, um freguês antigo! Que vergonha!, Sua mulher já saiu e está lá fora sozinha!”. Poucas vezes elevava a sua voz de barítono, quase sempre pra reclamar da própria sorte: “Que merda! Vou largar essa merda! Não sou babá de bêbado!”.


Fim de madrugada, boate fechando, últimos clientes procurando o caminho de casa, Niltinho também procurou o seu. Lembrou-se da Capoeira: o momento exigia jogo de Angola, devagar, cheio de malícia, mandingueiro e humildade de Papa em dia de “lava-pés”. Lembrou-se da dica de um velho conhecido: “Malandro, quando está por baixo, negocia.”

Enquanto caminhava, Niltinho pensava como pode vacilar daquela maneira. Tudo ia bem até a despedida no apartamento. Um “Tchau, amor! Tchau, Dália!”, saiu sem querer. Metido a conquistador, Niltinho, mulato malandro manjado de Copa, estava ciscando em torno de uma garçonete da boate. Isso mesmo: a tal Dália. Mulata bonita, simpática, não caía na lábia do mulato malandro manjado de Copa, que sabia casado, e saía de banda entre sorrisos e falsas promessas. Desejo no peito e nome na boca, Niltinho entregou o ouro. De Dalva pra Dália foi um pulo. Da janela do apartamento.



Escute essa playlist de samba! Maravilha!



Na esquina, uns cinco ou seis notívagos, daqueles que não deixam o português fechar o bar e que, mesmo esgotando todas as piadas e todos os assuntos, insistem em não ir pra casa mantendo um silêncio às vezes entrecortado por um “é isso aí”, “alguém quer mais um chope?”. Viram a chegada do leão, que parou na esquina, sondou o ambiente, pediu um conhaque duplo que tomou de um gole só, viu luz acesa na sua toca e resolveu arriscar. Atravessou a rua, parou em baixo do apartamento e disse baixinho “Dadá, Dadá! Sou eu, o Nini!”. Pronto: agora é que o bar não fechava mais. A turma ficou atenta e pediu outra rodada de chope.



Adoro Bossa Nova atual! Escute esse Playlist aqui.



A janela se abriu e Dalva disse: Entra! Quando Nílton, agora Nini, se dirigiu para a portaria, ela disse: ˜Saiu pela janela, entra pela janela!”. Leão que é leão não escala parede e, depois de três tentativas, pediu arrego: “Aí, pessoal, alguém aí pode dar uma mãozinha?”. Manguito largou o chope, atravessou a rua e empurrou o leão pela bunda. Niltinho caiu dentro do apê. A turma se aproximou tentando ouvir alguma coisa, mas Dalva fechou a janela.


Dia seguinte, “Boa noite, senhores!”, “Um conhaque duplo”. A moçada respondeu: “Fala,Nini!”, “E aí, Nini!”, “Legal, Nini!”. O leão tomou o conhaque de um gole só e, sem um rugido, seguiu caminho.


A esquina não perdoa.


 

Nao Perca por Nada!



Roda de Samba



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