A CASA DA GENTE


Durante a semana, o dia começava cedo Depois do café, a mãe, Professora, saía para a escola do município, onde era diretora-adjunta. O pai, Professor, dava aula em duas faculdades, uma pública e outra particular. Um duro danado, mas não reclamava, gostava do que fazia e ainda arranjava tempo para participar do Sindicato. Ele e a irmã, mais nova, iam para o colégio. O mesmo. A pé. Era perto. Escola pública. Durante a semana, porém, não tinham muito tempo para o lazer: as tarefas escolares eram prioritárias.

Domingo, porém, era diferente: a casa da gente transbordava de… gente.

Ele recebia os amigos para a bola de gude e, depois, para o futebol de dois. Ou bola ou búlica? No futebol, gols nas traves de tijolos. Atividades disputadíssimas, mas feitas com grande amizade. Sem perdedor.


A irmã recebia as amigas, cada uma com sua boneca, e criavam histórias para fazê-las brincar, comer e dormir ao som de cantigas de ninar cantadas por elas, em coro. Depois, era amarelinha, pular corda e mais brincadeiras criadas na hora.