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Rei, rei, rei, Jorge Amado é nosso rei


Cena de Gabriela, com Marcelo Mastroianni e Sonia Braga, filme de Buno Barreto: fonte: youtube




Na literatura, essa nossa arte maior, não tem jeito, Jorge Amado é o ‘Rei do Palavrão’. Mas como afirmar isso impunemente? Conta-se que essa foi a conclusão do folclorista Mário Souto Maior, a partir da sua pesquisa para embasar o seu destacado "Dicionário do Palavrão e Termos Afins". O célebre escritor baiano, traduzido em todo o mundo, adaptado para teatro, cinema e televisão, seria um tremendo boca-suja.


Depois de encantar meio mundo com seus romances iniciais (começou aos 18 anos) de conteúdos sociais e políticos, Jorge Amado, comunista de carteirinha (mesmo) e que chegou a ser deputado federal pelo “Partidão”, enveredou pelos romances de costumes, com linguagem simples e passagens por vezes apimentadas ou obscenas, o que o levou a cair no gosto popular. Um dos mais lidos do país. Eu adoro.


A propósito, antigamente gente grande achava que criança era surda, ou que não entendia nada. Tudo bem. Na época eu poderia não entender, mas desconfiava de algo suspeito quando ouvia coisas do tipo: “Ela é uma depravada. Mostrou-me o tal livro do tarado que se ajeita com a enteada. Nem peguei naquela porcaria”. Bem mais tarde fui saber que era de ‘Lolita’, de Wladimir Nabokov, que as amigas de minha mãe confabulavam aos cochichos. E com perceptível dose de hipocrisia, compreendi mais tarde.



Música popular do Brasil, escute na Spotify.



Essas conversas aconteciam geralmente no ateliê em que minha mãe transformara o quarto de casal, depois de separar-se de meu pai. Ela costurava para muitas mulheres. E lembro bem claramente quando uma prima de minha mãe, mais jovem e mais moderninha, falou que estava lendo ‘Gabriela, Cravo e Canela’, de Jorge Amado. Essa prima comentou passagens “cabeludas” do romance. Todas queriam o livro emprestado. Todas, com exceção de minha mãe, que do alto de um moralismo surpreendente, inexplicável e risível, repelia: “Dizem que é cheio de palavrão”.

Aí é que estava o ‘X’ da questão, coisa que somente fui compreender muitos anos depois e após muita reflexão. O drama era o palavrão impresso. Ainda mais num livro. Aquilo parecia uma heresia para minha mãe boca-suja. Uma coisa era falar e o som se diluir, desaparecer ou ficar registrado sabe-se lá em que dobras e fendas do éter afora. Outra coisa era o nome feio ficar registrado, impresso para a posteridade. Uma imoralidade, na visão dela.


Ouça a música DE QUE É FEITO O SAMBA, de Andre Jamaica e Dudu Oliveira.


Voltando à pesquisa de Souto Maior, ele teria distribuído milhares de formulários por todo o país e conversado com gente de todas as classes sociais, durante cinco anos. Além de ler 200 romances. Tudo isso desaguou em três mil verbetes de sua obra portentosa. E em termos de autor boca-suja o dicionário não se limitou a eleger o campeão, Jorge Amado. Outros aparecem por lá como o modernista Oswald de Andrade e até Gilberto Freire, que prefaciou o livro.


Algumas expressões pinçadas da obra de Jorge Amado por Souto Maior certamente serviriam para enriquecer o acervo de minha mãe. Pena que ela não tomou conhecimento de verbetes deliciosos como “fechar a cancela”, expressão nordestina para designar a aposentaria sexual; “levanta cacete”, para caracterizar uma mulher bonita, bem feita de corpo; ou “dar a maricotinha”, que significaria o ato de pederastia passiva.


· Capítulo do livro ‘Os Tomates do Padre Inácio – Memórias domésticas do palavrão’. Este livro publicado pelo Clube dos Autores (2018) é uma homenagem à minha saudosa mãe, dona Zoraide, com quem aprendi a respeitar essa forma legitima e poderosa de expressão que é o palavrão. E viva o palavrão!!


 

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