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Quando o sonho tece outros voos



Por Alessandra Roscoe


Depois de mais de 15 anos dedicada ao jornalismo na cobertura política e econômica em Brasília, resolvi mudar também o rumo da minha vida profissional. E com muitas histórias!


Elas estiveram comigo, mesmo no dia a dia do “hardnews”. Eu gosto de brincar que, como repórter, sempre contei histórias: histórias de verdade de gente de verdade e foi a maternidade que me roubou de vez para os mundos inventados dos personagens imaginados. O primeiro livro foi publicado em 2004, surgiu na beira da cama, como história de ninar, numa parceria com a filha mais velha que me ajudou a criar o enredo e fez todas as ilustrações! Eu trabalhava como repórter na TV, fazia um jornal de noite e entrava ao vivo todos os dias com as notícias de Brasília por volta da meia-noite. Chegava em casa super tarde e num dos dias, quando cheguei, a Bia, que devia ter uns três anos de idade, estava me esperando acordada. Disse que queria ouvir uma história antes de dormir e que tinha que ser uma história nossa, que não existisse em nenhum livro ou filme.


Cansada, mas certa de que aquilo era quase uma súplica de carência da pequena, eu fui costurando com os fios da imaginação dela também, o que viria a ser o nosso primeiro livro. A menina que pescava estrelas, depois virou filme, foi adaptado para um curta de animação em 35 mm e marcou o começo de um outro tempo nos meus dias, o tempo da literatura! Hoje posso dizer que sou um exemplo de plano B que deu certo. Desde pequena sou apaixonada pela palavra, adorava escrever cartas, poemas e ficava horas perdida entre os livros e jornais, mas não imaginei que fosse levar a sério a ficção iniciada como um momento de afeto entre mãe e filha. Hoje são 47 livros publicados e um projeto muito maior do que escrever e publicar.


Quero espalhar livros, leituras e afetos! Dessa ânsia de dividir o meu amor pelas muitas leituras possíveis, nasceram os projetos de incentivo à leitura com públicos específicos: Aletramento fraterno, com casais “grávidos”, de leitura para o ventre; Experimente a palavra, de leituras sensoriais com bebês e pré-leitores e Caixinha de guardar o tempo, com idosos e pacientes de Alzheimer, tendo as leituras em voz alta como forma de ativar memórias. Em 2010, surgiu o Uniduniler, clube de leitura para bebês, considerado, pela Fundação Biblioteca Nacional, como a primeira experiência prática permanente de leitura com bebês no Brasil. O clube funcionou com acervo próprio, sócios e encontros semanais numa creche em Brasília para troca de livros e experiências leitoras. Os sócios eram bebês de 04 meses a 4 anos de idade e seus familiares. A ideia era incentivar a leitura no colo, o vínculo a partir das histórias, o brincar de ler.


Em 2013, juntei todos os projetos no Uniduniler todas as letras (www.uniduniler.com.br) e criei ainda o Terapia da Palavra com leituras e música nos hospitais e o Asas da Liberdade, realizado em penitenciárias e centros de internação de menores e propus no edital do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal a realização do Festival Itinerante de Leitura. De lá para cá, já foram seis edições concluídas, milhares de pessoas beneficiadas e até um reconhecimento internacional do CERLALC, Centro de Referência em Leitura, ligado à UNESCO, que considerou o Uniduniler todas as letras uma das melhores práticas de incentivo à leitura para a primeira infância da América Latina e do Caribe, em 2018.


No Uniduniler, leitura é entendida como deleite e não apenas a leitura formal. Além de Concertos Literários, Rodas de Histórias e Cantigas, leituras partilhadas com idosos, Leituras sensoriais com bebês e pessoas com necessidades especiais, ou em privação de liberdade, o Projeto realiza revoadas poéticas de pipas ilustradas com trechos de livros e com poemas e ilustrações de crianças. A ideia é mostrar que são muitas as leituras possíveis e que literatura e brincadeira também andam juntas.


Agora a equipe do Festival se prepara para realizar no segundo semestre de 2022 a VII Edição com convidados muitos especiais e diversos eventos para mostrar que a leitura está muito além da palavra e da imagem no papel. O VII Festival Itinerante de Leitura começa no fim de julho e vai realizar eventos gratuitos até outubro. Em breve a programação completa estará disponível no site www.uniduniler.com.br e nas redes sociais do Uniduniler @unidunilertodasasletras e https://www.facebook.com/unidunilertodasasletras/


Hoje posso dizer com muita alegria que as histórias inventadas reinventaram a minha história!



Leia mais!

 

Alessandra Roscoe é jornalista, escritora e coordena em Brasília, onde mora, o Uniduniler todas as letras, projeto de incentivo às leituras afetivas e partilhadas que leva livros, autores, mediadores de leitura, músicos e artistas das mais diversas linguagens a públicos muito diversos que nem sempre têm acesso à arte. Alessandra tem 47 livros publicados, alguns em outros países, livros em bibliotecas internacionais e em acervos de bibliotecas públicas de todo o país. É também compositora e uma “artivista” declarada que acredita na imaginação como ação transformadora.

 

Música.


Ouça a música Balão na Mão, uma homenagem às crianças e ao artista Deneir.



Jornalitas que cantam. compõem muito bem! Ouça!



 

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Música



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