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O entretenimento nas telas


Paula Sabbag

Há algumas décadas nosso entretenimento "assistido" vinha basicamente da TV, onde tínhamos pouco mais de uma dúzia de canais com programações variadas. Hoje temos os canais abertos, pagos, além é claro da tecnologia que trouxe computadores, tablets, smartphones e com elas plataformas de streaming, sites de compartilhamentos de vídeos entre outros, que estão fortemente presentes no dia a dia de quase todos nós. Essa mudança toda trouxe obviamente mais praticidade e uma infinidade de opções de entretenimento. Quando criança me lembro de assistir desenhos como o Gato Felix, Mr Magoo e Caverna do Dragão e programas como o Bambalalão e a série do Sítio do Pica Pau Amarelo e o Show da Xuxa ( que apresentava em sua grade alguns dias desenhos citados). Quem da minha época não se lembra da Xuxa descendo da espaçonave no início do programa e subindo nela ao final. Aliás, qual menina da minha geração nunca teve o sonho de ser uma Paquita da Xuxa? Hoje confesso que fico um pouco confusa quando busco em alguma tela algo pra assistir. Quando vou escolher um filme por exemplo, são tantos títulos que às vezes desisto por não conseguir escolher. Outra coisa que me intriga são os canais no YouTube. Tanto material de extrema qualidade disponível e alguns canais e vídeos com números de visualizações surpreendentes são em grande parte, os de conteúdo que, a meu ver, não agregam muito. Muitas vezes conteúdo com o mesmo teor, alguns outros me parecem réplicas (como de costume) de material que foi inicialmente produzido fora do país. O que será que move cada um de nós a buscar o conteúdo que irá nos entreter por alguns minutos ou horas? Claro que essa busca tem relação direta com os nossos interesses e gostos pessoais, com o nosso estado de espírito, com nosso senso de humor (que aliás é muito diferente de pessoa pra pessoa). Será que algumas vezes ousamos experimentar algo novo, que nem faz parte do conteúdo que costumeiramente consumimos? Não quero propor aqui uma reflexão baseada na crítica. E sem pretensão nenhuma de guiar alguém sobre seus próprios gostos, afinal cada um sabe de si e do que lhe agrada. A minha reflexão aqui hoje é sobre como direcionamos o nosso tempo livre, que hoje me parece escasso para todos, e nos divertimos em frente as telas de forma leve e sadia. Ou será que o entretenimento talvez não precise ser tão "pensado", podemos simplesmente usá-lo de maneira a fugir um pouco da nossa realidade. Eu honestamente nem tenho essa resposta. E nem sei se é necessário tê-la.

 

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