Há 10 anos, Boechat abria a temporada de caça
- Lais Amaral Jr
- há 3 dias
- 3 min de leitura

A enxurrada de palavrões desferida por políticos e “um líder religioso”, que nos atingiu semana passada, a partir da divulgação das investigações da PF – que deve colocar uma turma feia atrás das grades -, certamente empolgaria minha saudosa mãe, dona Zoraide. Aprendi palavrão com ela.
Em sua homenagem publiquei o livreto Os Tomates do Padre Inácio – Memórias domésticas do palavrão (Clube dos Autores-2017 e All Print- 2023). Reproduzo a seguir uma das crônicas do livro, na qual um dos personagens é o também saudoso, jornalista Ricardo Boechat. Passagem que já faz parte dos anais da história do Rádio. Eu aplaudi. Segue a crônica:
Uma inocente avezinha
Pensei no seguinte título para este capítulo: “O palavrão no espectro eletromagnético”. Daria tese de mestrado, não daria? Mas desisti, e logo vocês vão entender o porquê. Vamos lá. Rádio e televisão desde seus cueiros, os anos 20 para o rádio e os anos 50 para a televisão, sempre foram vistos como solos sagrados, espaços mágicos.
Consumi com fidelidade canina durante a infância as “Estórias do tio Janjão”, na Rádio Nacional, e como disse lá atrás, as aventuras do Anjo e do Jerônimo. Na TV foi o encantamento com os desenhos animados, com os Três Patetas, com o Super-Homem e Batman (estes dois um tanto decepcionantes comparados às suas versões dos gibis da EBAL).
Mas Rádio e TV significavam, acima de tudo, um mundo superior para nós meros mortais. As vozes e imagens que deles emanavam na certa nasceram ungidas para um propósito maior. Cantores, tele atores, locutores, apresentadores. As notícias eram verdades supremas: “deu no Repórter Esso!”, atualizado para: “deu no Jornal Nacional!”. Como éramos e como continuamos tolos e ingênuos, não é mesmo?!
E por serem esses veículos concessões públicas, e, portanto, seguindo (ou pelo menos devendo seguir) regras constitucionais que os colocam como complemento de nossa formação educacional, social e cultural, jamais poderíamos supor ou imaginar, um palavrão reverberando no éter via ondas de rádio ou TV. Mas o palavrão, essa incorrigível e irresistível forma de se alcançar a exata dimensão dos significados, não deixaria passar incólume esses nobres veículos de comunicação de massa.
O rádio, com programação essencialmente ao vivo, esteve mais vulnerável. E foram muitas, mas prefiro registrar aqui um fato bem recente, ocorrido em 2015, e que está condenado a virar história em nossa mídia falada. Sem trocadilhar com o verbo rolar, destaco um quase-palavrão que o radialista Ricardo Boechat atirou sobre o pastor evangélico-midiático Silas Malafaia.
O indigitado pastor colocara no twitter um ataque a Boechat com a justificativa de rebater uma suposta afirmação do jornalista de que pastores evangélicos incitavam fieis à intolerância. De quebra chamara Boechat de idiota. O radialista do alto do seu microfone na Band News FM retribuiu o idiota, acrescido de paspalhão, pilantra e sugeriu bombástico e definitivo:
- Ô Malafaia, vai procurar uma rola, vai!!!.
E rola, essa simpática avezinha, nem é palavrão. Ou é?
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