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E uma dor assim pungente...




(16/11/22)


Outro dia o Juca Kfuri comentou que, com a idade avançando, a gente vai ficando mais sensível. Chora por quase tudo. Eu não sei se é coisa só da idade. Pode também ser resultado de tantas coisas ruins que vem acontecendo nos últimos anos. Está muito presente o risco que ainda corremos com a tentativa de mudarem a cara do Brasil. A fascistização. Mas entendo o que o Juca falou. Eu mesmo venho sendo perseguido por uma sensação esquisita de desenlace. Percebo despedidas no cenário ao meu redor, como se estivesse vendo coisas pela última vez. Me emociono. As lágrimas veem. A vida em si passou a ter um valor muito maior. Não a minha vida, apenas, mas a vida na sua integridade. Já não mato formigas ou outros insetos domésticos. Sei que aquele minúsculo corpo guarda uma vida. (A exceção são os mosquitos que vem tirar nosso sangue. A reação é automática. No reflexo. Assim mesmo não me permito deixá-los agonizando).


Caminhando manhã dessas, estranhas, passei por um grupo de torcedores da seleção brasileira. Uns cantavam o hino nacional, outros choravam. Depois vi outros orando num muro das lamentações tupiniquim. Tudo muito esquisito. Não me comovi com essas lágrimas. Percebi o olhar enviesado de um senhor desaprovando minha calça vermelha. Nem reparou na minha jaqueta de general, peça de vestuário que certamente deixaria enternecido um certo lutador de jiu jitsu. Minha imaginação rebelde, como sempre, alçou voo e até me pareceu ter ouvido esse tal lutador gritar:


- "General Benjamim, seu Benjamin. General!!!, vão anular eleição?".


Eu respondo:


- "Não meu caro, não vão. Acabou". E parafraseando o falecido Boechat: "Vai caçar um Arrola, vai!"


Credo. Tempos rasteiros. Precisamos mesmo estar atentos. E fortes. Na rua, outros bandos com camisas da CBF, como mortos vivos de alguma série walking dead, passam por mim. Confesso que estou me sentindo cansado. São muitas perdas. Acho que até perdi o navio. Tudo bem que poderia viajar para longe a bordo de um objeto não identificado. Fazer uma canção brasileira e singela, para desabrochar numa voz de cristal, como nenhuma outra existiu. E eu, sinceramente, nem queria saber de piscina ou da gasolina. Muito menos da margarina. Queria saber da Carolina. Minha filha, que mora muito distante.


E nesses dias de discussões de transição de governo, com o ‘deus mercado’ magoado com Lula por priorizar a melhoria da vida dos pobres, com as pessoas vestidas com a bandeira nacional, pedindo intervenção federal nas forças armadas, com Tite convocando Daniel Aves e a Copa batendo à porta, em meio a isso tudo...as despedidas. Não queria reconhecer aqui, mas devo dizer que corre um boato aqui, donde eu moro, que as mágoas que eu choro são mal ponteadas. Com certeza são. E as mágoas vão por conta das despedidas de tanta gente querida. O locutor do Maraca interior canta a seleção: Aldir Blanc, Monarco da Portela, Marilu Bueno, Elza Soares, Milton Gonçalves, Nelson Sargento, Jô Soares, Paulo Gustavo, Moraes Moreira, Gal Costa e Rolando Boldrim. Que time, esse, que está fora da Copa! Caramba!


“Eu vim-me embora E na hora cantou um passarinho Porque eu vim sozinho Eu, a viola e Deus

Vim parando assustado Espantado com as pedras do caminho

Ei, essa hora

Da gente ir-se embora é doída Como é dolorida

Eu vou-me embora E na hora vai cantar um passarinho Porque eu vou sozinho Eu, a viola e Deus” (Eu a viola e Deus – Rolando Boldrin)


 

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