Conto erótico: DESENLACE, ou Todas as cartas de amor são ridículas ...

HELIO PAULO FERRAZ

“A música é o silencio entre as notas” - Debussy -

Ambivalência, eu disse...

Você não é um personagem do meu imaginário, ou mesmo sua representação no mundo real, ou apenas a dona daquela bundinha torneada, perfeita, que me enfeitiçou na praia, em frente ao Country, até começarmos a compartilhar jogos de amor, essa nossa lúdica libido, ou, ainda, uma metáfora encantada das minhas fantasias eróticas que se libertam em você, a vivenciar com naturalidade minha insistência de ser cúmplice dos seus desejos; voyeur do seu sentir, a me deixar face a face com meus travessos e mais recônditos fantasmas, à brinca neste parque de diversões idílico, docemente sensual e morno do seu corpo, da sua voz suave, deste seu jeito de falar, que me dá um gostoso frio na barriga, huuumm ... seus pelos púbicos..., um vôo livre, com o descompromisso e liberação próprios da criação, da arte, da paixão, esta alforria que só pode derivar da transcendência, sim, da ultrapassagem dos limites, até os mais arraigados no fundo do inconsciente, aqueles pudores mais íntimos, que rompemos juntos, infinitas vezes, não de forma monolítica, claro, mas desencontrada e até polemica, frequentemente radical, resultado inevitável desta coexistência tensa entre o amor e o ódio, ambivalente como seu personagem, contraditório como o meu, masoquista e sádico, servo e senhor, alternada e simultaneamente, a se transtornar pelo tsunami dos sentidos sobre a razão, a transbordar os fragmentos de nossas humanidades em livre transito do possível ao impossível, do real à fantasia, da onipotência ao encontro doce de nossas fragilidades e, tudo, como que a retratar-nos dentro de um mesmo fotograma, de uma sequência cinética o