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COLETIVIDADE



O dia amanheceu estranho. Nem quente nem frio, meio nublado com aberturas eventuais de sol, mas tudo meio úmido como resultado da chuva que durou boa parte da noite. As flores que abriram estavam fortemente orvalhadas. Gostava de olhar as flores logo cedo.  Nem era a palavra certa a ser usada. Estavam encharcadas mesmo. O orvalho é outra coisa, aquelas gotas que se formam na superfície das coisas quando o ar esfria. O que se via era muita água em todas as superfícies, muito mais que gotas. Era um acúmulo de água que levaria tempo pra evaporar, mesmo com o sol aparecendo de vez em quando.


Muito chato sair pra trabalhar assim. Tinha uma função definida. Trabalhava na segurança havia muito tempo já. Diariamente checava os mecanismos de defesa instalados. Raramente precisou partir para o confronto com ladrões ou invasores, mas eles eventualmente danificavam as barreiras instaladas. Na saída da empresa, monitorava as equipes de responsáveis pelo trabalho de campo, que saíam todos os dias para as atividades externas e voltavam ao final da jornada com o resultado de sua labuta. Por conta do material valioso com o qual trabalhavam, ou simplesmente em virtude da violência reinante, algumas trabalhadoras eram atacadas e não voltavam. Todo mundo uniformizado, reconhecia cada figura mesmo sendo tantos e tão parecidos entre si. Tinha uma boa relação com a turma que trabalhava internamente, na empresa, cuidando da produção, manutenção e suporte às diversas áreas. Raramente se aventurava fora de sua função, mas uma vez, quando uma grande ameaça externa colocou em risco a produção e a vida de toda a turma, sentiu-se na obrigação de partir pra briga. Não precisou usar arma, mas ajudou a repelir os invasores  juntando-se ao grande grupo formado para a batalha. Viu colegas morrerem. Aquilo nunca ia sair da memória. No trabalho diário, imaginava se uma cena daquelas ia se repetir algum dia. Já tinha a experiência e não queria ter que vivê-la outra vez, mas precisava estar sempre alerta.


Uma vez convocaram toda a massa para participar de uma ocupação a outra empresa.  Não foi. Era leal à atividade que abraçou desde cedo.


Mas o dia amanheceu com um estranho lusco-fusco. Isso era um mau sinal. Acreditava nisso. E aquela água exagerada que tinha caído durante a noite complicava demais a atividade das equipes da manhã. Não bastasse o uso, cada vez mais frequente, de substâncias tóxicas que dificultavam a abordagem dos clientes, umas coisas fedorentas e que provocavam males terríveis e até muitas mortes entre a equipe de campo, agora vinha essa chuva destruidora. Mas tomou o seu posto pra observar as saídas, enquanto fazia pequenos reparos na estrutura da barreira física construída pra proteger a empresa, danificada pela chuva.


Alguma confusão vinda de dentro lhe chamou a atenção. Alguma coisa estava acontecendo e podia comprometer a segurança das equipes.


A comunicação veio logo.

A CEO da empresa não estava bem e não havia, naquele momento, ninguém pronto para a sucessão.


O departamento de pessoal precisava trabalhar muito forte, visto que a cultura institucional não permitia que servidores ocupassem aquela função.


Seguiu fazendo o seu trabalho enquanto as equipes externas tentavam driblar as dificuldades do excesso de chuva para poderem fazer o seu trabalho.

No final do dia teve a informação de que não precisariam abandonar a colmeia. Havia geleia real suficiente e conseguiram formar uma nova rainha.


Ufa!

Ser abelha operária não é fácil! Se acreditasse em reencarnação, talvez quisesse voltar rainha ou zangão. Todo mundo trabalha pra ela. Ele transa uma vez e morre.

Melhor não.


Mas avalia a possibilidade de ir trabalhar a campo. Gostava daquele negócio de fazer própolis, defender a colmeia e tal, mas sair pra visitar flores é bem mais animado.

Ou, sei lá, nascer cupim ou formiga. Eles parecem ter um pouco mais de autonomia, fazem umas revoadas bonitas...

 

Rio de Janeiro, março de 2024.


 

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