Bezerra da Silva, o malandro amigo. (Final)



Bezerra da Silva, não era o intérprete do meu ideal de samba. Embora admirasse algumas de suas gravações e reconhecesse seu valor. O respeitava como um grande, que gravava criações características de um segmento social que não tinha voz e mostrava uma realidade, para a qual alguns torciam o nariz. Composições preconceituosamente classificadas como ‘sambandido’. Bezerra cantava a sua gente e sua realidade. Que não era a minha exatamente, mesmo eu morando na Baixada Fluminense e convivendo com desequilíbrios próprios dessa geografia, física e social. Eu estava mais para um certo lirismo, meio agonizante. Mas Bezerra não gravava só o chamado ‘sambandido’. A Vida do Povo, era uma crítica social e até política. E isso ele gostava de fazer também.


Não demorou e Guilherme volta a ligar. Hora de assinar edição e autorização. Numa elegante e arejada dependência da editora musical, Warner Chapbell, na Lagoa, eu, Guilherme, Pinga e mais de uma dezena de compositores, aguardávamos para assinar o contrato de edição. E receber um cheque com o adiantamento de 40 mil cópias pré-vendidas. Pouco depois nos dirigimos ao banco do outro lado da rua. Alguns para depositar o cheque, mas a maioria, certamente