Bezerra da Silva. O malandro amigo (1)


Lais Amaral Jr.


Bezerra da Silva é uma história a parte. Ele gravou dois sambas que fiz em parceira com os compositores Pinga e Guilherme do Ponto Chic. Eles integravam a ala de compositores da Leão de Nova Iguaçu, uma escola de samba que nascera do bloco Leão de Iguaçu, agremiação que fez história nessa categoria. Os dois também pertenciam à ala de compositores da Estação Primeira de Mangueira. Isso pra mim já foi uma honraria. Mas como um poeta mediano de Nova Iguaçu, que pouco ou nada conhecia dos meandros e descaminhos do complexo mundo fonográfico, seria gravado por um dos grandes nomes do Samba? Voltemos alguns parágrafos.


O Samba (e a música em geral), esteve presente na minha vida desde sempre. Meus avós, meus pais, meus tios, tinham no rádio um companheiro quase inseparável. Ouvia-se de tudo e o dia inteiro. A indústria fonográfica daquele tempo parecia menos feroz que nos tempos que vieram depois. Éramos uma família musicalizada e não eram raras as noitadas de ‘arrasta-pé’ lá em casa. Meus pais adoravam.