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TUPINIQUINZICES



Alguns escritores cumprem o seu ofício para viverem, ou melhor, para continuarem vivos. Desde cedo, nunca tive essa ilusão, dentro dos meus parâmetros ou a esperança na literatura (em arte alguma), apesar de já ter sido transformado por ela algumas pouquíssimas vezes: aquele impacto que muda a rota da sua vida ̶ não um que bate, dói e depois passa.


Obviamente que é bacana, por exemplo, ouvir uma determinada canção e desligar-se daquele dado tempo opressivo, e conceder-se um hiato emocional; ou descobrir um novo poema e, a partir dele, deslocar-se, subjetivamente, de onde você, até então, estava. Felizmente vivi isso, pois acontece com o artista que (depois de uma experiência revolucionária com a obra de outro artista, normalmente transformada em influência) assimila aquela referência e passa a produzir a sua arte de uma forma diferente. Mas tratando-se da pessoa não artista, é difícil (jamais raro) que o poder da arte altere o rumo de alguma coisa, exceto, por exemplo, e numa análise bem rasa, no caso de um cinéfilo, mas que não seja cineasta, ou de um leitor frequente, mas que não seja escritor, e assim por diante.


A arte é essencial e transformadora, sim. Existe porque a vida não basta, disse Gullar, mas sem um prato de arroz e feijão duas vezes por dia, sem esgoto e água tratados, sem escola de valor (não esse mal cheiroso engodo que é o ensino público no Brasil, formador de uma legião de analfabetos funcionais, que, quando “concluem” o Ensino Fundamental, mal sabem assinar o nome, não somam duas dezenas e são incapazes de interpretar um texto, por mais simples que seja) e sem a valorização cultural do seu povo, a arte não se torna desnecessária, mas, naquele momento, sim, irrelevante. Quem vai assistir a uma peça de teatro, ou a um show, ou a um espetáculo de dança ou ler um livro com a barriga vazia ou sem saber quando comerá da próxima vez? Ou sem ter tido instrumentos sociais para usufruir dessas experiências? E não podemos esquecer das nossas universidades. Dentro do contexto brasileiro e latino-americano, podem, e fazem diferença, mas se as inserirmos no contexto internacional, o nosso desempenho é muito relativo, para não dizer decepcionante.


No último ranking do QS Ranking das 500 melhores universidades do mundo, de junho de 22, a primeira que aparece é a USP, em 115º lugar: “O Brasil é o país latino-americano com mais instituições classificadas no ranking, 35 ao todo. Além da USP, a universidade brasileira mais bem classificada, outras quatro instituições ficaram entre as 500 melhores do mundo: a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ficou na 210ª posição, seguida da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na 333ª, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na 441ª, e da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), na 477ª colocação”. Fonte: USP.


Falhamos, como povo, na construção de uma nação bem-educada e informada. Fomos omissos, cretinos e incompetentes com gerações e gerações de brasileiros que estão por aí, à deriva no mar do despreparo, da informalidade intelectual, do desemprego e da completa falta de esperança, porque as empresas, as próprias universidades/escolas, e a sociedade, enfim, precisam de gente oriunda de um ensino forte ̶ de pessoas bem formadas e qualificadas. Mas temos muito pouco a oferecer. Quase nada, e o que temos, mora nas ilhas das exceções, e não nas das regras. É uma tristeza sem lado, esquerdo ou direito, centro, aqui ou acolá. Falhamos todos. Inexoravelmente. A educação pública brasileira é um eterno vir-a-ser, infelizmente. Um crime. Um atentado ao futuro. Uma poda. Um cerceamento. Uma coisa não realizada. Um fracasso retumbante. E esta realidade somente mudará no dia em que uma família dispuser de recursos suficientes para matricular o seu (deles) filho numa conceituada, e geralmente caríssima escola particular de Ensino Fundamental, e, mesmo assim, preferir matriculá-lo numa totalmente pública e gratuita. Simples assim. Simplíssimo assim.


Meu amigo-irmão Cézar Ray, que há muito nos deixou no Rio para morar em Recife, é um exemplo de muita coisa para mim, especialmente em relação à habilidade de contornar situações que beiram à desordem completa, quando consegue gerenciar suas emoções, pelo menos externamente, e manter a serenidade. Diante da maior tensão, quase no afogamento, no ápice do caos, ele sempre diz: ̶ Isso passa!


Para nós, acabou a chance de vivermos num país educado. Quem sabe daqui a cem anos? Por enquanto, meu amado Raymundo, isso não passará...

 

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Através da certificação de músicas e da profissionalização de compositores, bandas e produtores, a plataforma Cedro Rosa Digital tem fortalecido a cena musical independente e facilitado o licenciamento dessas obras em diversas mídias, como TV, Cinema e Publicidade.

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