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Sem ela o milagre não teria acontecido



Neste périplo de narrativas das descobertas de um neorrural  recém chegado à roça (eu), sempre falo só de mim, das minhas surpresas, das minhas mudanças, das minhas peripécias, das minhas descobertas, etc.


Sempre eu, eu, eu. Chega de vaidade! Chega de egocentrismo! De repente me bate a conscientização de que nada disso teria sido possível acontecer se eu estivesse por aqui sozinho. Claro que nos primórdios dos tempos de descoberta e chegança, eu estava só. Mas para me estabelecer, para fincar raízes, para ser feliz, tinha que ter ao meu lado, minha parceira, minha companheira, minha luz.


No início tudo era uma aventura. Aquela falta de sofisticação (já que nada era requintado nem sofisticado) tinha um apelo de arrojo, de ousadia, de desprendimento até. Não tinha luz. À noite o fogão a lenha fornecia calor, iluminação e esquentava a comida. Tinha água pura e cristalina, sem dúvida, mas no ribeirão. Aranhas e sapos, companheiros noturnos. A casa, do século passado, sempre cheia de folhas e poeira pela falta de um forro. E íamos levando aquela situação singular e no mínimo curiosa, com galhardia, bravura e um destemor bizarro. Afinal, o amor é lindo.


Ansiávamos pelo próximo fim de semana possível, já que sabíamos que iríamos nos encontrar à sós, no mato, no silêncio em meio a uma natureza quase virgem. Isto não tinha preço.

Passamos muitos fins de semana e feriados inesquecíveis.


O Réveillon do Bug do Milênio (Lembram? Virada de 1999/2000) foi um deles. Nesta noite improvável, estávamos na beira do rio que atravessa a propriedade. Ele desce do alto da Serra a Bocaina, pura Mata-Atlântica, traduzindo – segundo a lenda – a corruptela do nome da cidade, originalmente Banani, que significa no idioma dos povos originários que cá habitavam, rio tortuoso.


Sentamos na grande pedra lisa, onde o rio faz uma curva mudando seu rumo e ficamos aguardando as maldições e calamidades previstas pela mídia dos entendidos digitais.

Foi muito lindo pois foi uma passagem de ano inusitada. Só nós dois, no meio da mata, assentados confortavelmente numa laje, com a água cristalina fluindo borbulhante  e a lua minguante dando uma sensação de expectativa melancólica – afinal o planeta estava em suspense aguardando a meia-noite. Abraçados, enamorados, na vigília da possibilidade daquilo... que não aconteceu.


O mundo continuou exatamente como antes, o bug do milênio foi uma farsa.

Mas, para nós foi uma noite idílica inesquecível da confirmação de um amor que perdura até hoje.

O tempo foi passando e cada vez mais nossas almas se aproximavam. Até que um dia, veio a declaração inesperada: “Luiz, se você está pensando em ficar aqui mais tempo do  que apenas fins de semanas, eu te acompanho, mas temos que ter luz, água quente, forro no teto, banheiros decentes, vizinhos, uma estrada melhor para não termos que subir a pé carregando compras e malas, cada vez que chove...”  e por aí foi uma lista de mudanças básicas no meu dia a dia. Por mim estava tudo bem. Nunca tinha percebido a rusticidade exagerada do meu paraíso. De repente “o rei ficou nu” como na fábula de Hans Christian Andersen. Só eu que não via a realidade.


Mas o amor sempre vence e algum tempo depois, todos os requisitos atendiam à fiscalização severa da minha partner tão querida.  


Estas resoluções trouxeram modificações fundamentais e transformaram o dia a dia na roça. Hoje tenho água quente em todos os banheiros (fiz mais 2 para os hóspedes). Temos manta e forro no telhado. A casa não tem mais goteiras (para mim algo  inacreditável pois já conhecia de cor aonde pingava). E por aí foi uma série de descobertas tão simples mas que nós homens, convencidos de nossa autonomia,  achamos que melhorias e restauros são pura frescuras. Não nos damos conta que são upgrades, que além de valorizarem a propriedade, trazem maior  conforto, facilidades inimagináveis para a minha – então – curta visão. Não preciso mais acender o lampião. Abro a torneira e aquela água que trazia em baldes do ribeirão, se derrama na pia. A luz trouxe a geladeira e indubitavelmente maior economia e comodidade. O fogão com bujão de gás nos permite dormir até mais tarde, já que não temos que acender a lenha cedinho como outrora. Agora só por prazer.


Hoje temos Internet via Starlink do Elon Musk. De 3 Mb passei, de um dia para o outro, para 150 Mb! Antes minha Internet era uma antena acoplada numa torre de metal de quase 10 metros de altura no cume do pasto apontando para a cidade mais próxima (10 kms) onde estava a central que distribui o sinal. E a cada tempestade que surgia no verão, os raios queimavam alguma placa e ficávamos dois a três dias sem contato com o mundo, até o conserto chegar.

O clima de roça permanece pois a situação é a mesma, a essência permanece inalterada. O ar continua puríssimo, a água idem. O sono sempre reparador por conta do silêncio. Os pássaros e animais silvestres cada vez se aconchegam mais.


Conseguimos tornar nossa rotina mais prazerosa na medida que envelhecemos e ainda conseguimos dispor dos prazeres adquiridos.


Apenas com mudanças pontuais, transforma-se um paraíso ilusório (foi isso que percebi depois) num espaço confortável, num recanto agradável, convidativo e cheio de paz. Agora de fato, o verdadeiro paraíso.

 

Luiz Inglês

Fevereiro de 2024


 

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