Romildo Bastos, um personagem emblemático do mundo do samba – (1ª Parte)




Assim que saltei do ônibus em frente ao Portelão, Beto Branco ao meu lado cumprimentou alguém de forma estridente e pouco usual: Romildo, seu safado! E o cidadão ‘ofendido’ respondeu em forma de samba: "Beto, escuta essa aqui, que já-já vai ser sucesso no rádio". E cantarolou batucando na caixa de fósforo: "Ê fuzuê, parede de barro não vai me prender / Ê fuzuê parede de barro não vai me prender". E não demorou muito a profecia do sambista se confirmava com mais um grande sucesso na voz da Clara Nunes.


Meu amigo Beto Branco era uma figura daquelas desconcertantes, que falava duas vezes antes de pensar. Pós-graduado em porrinha, torcedor da dupla Fla-Flu (torcia para os dois) e um copo insaciável. Ele me apresentou Romildo, que eu já admirava a distância dos sucessos gravados pela mineira guerreira. E aquela foi uma das últimas disputas de samba enredo que Romildo participou na Portela. Chegava sempre nas finais com sambas belíssimos, mas não levava. Eram os tempos de um tsunami chamado Davi Correia que chegava, e bom de quadra, arrastava tudo. Romildo acabou se bandeando para a Mocidade e pouco depois emplacou, junto com Edson Show, o seu ‘Muambeiro’ na Escola de Padre Miguel.