PIADAS



O Beto era metido a engraçadinho. Gostava muito de contar piadas. Demais até. E era bom no negócio. Tinha sempre uma pronta pra cada situação. Brincava que devia ser filho de cearense. Afinal, os conterrâneos do Chico Anísio têm fama nisso. E era um derrame permanente de historinhas de português, papagaio, loura, baiano, americano, gay, açougueiro, freira. Não tinha personagem que escapasse. Alegrava os ambientes até levar todos à exaustão. Era bom no negócio, não custa repetir, mas exagerava.


Não conhecia o limite. Perdera diversas pretendentes a namorada por causa dessa compulsão cômica. O cara era até bonitinho, de traços fino e tal, mas passava fácil do ponto. Não deixava escapar o menor detalhe e isso muitas vezes incomodava as meninas. Irreverente e politicamente incorreto no último grau, trazia sempre consigo uma pequena confraria de amigos que aproveitavam a popularidade do Beto, um verdadeiro showman.

Sabia que agradava e também que desagradava, no excesso. Mas não se preocupava com isso. Apesar do sucesso, Beto não era um profissional da coisa. Era bancário no Centro da Cidade, profissão quase em desuso há muito tempo, mas que lhe garantia a tranquilidade necessária pra continuar contando piadas por aí.