OBÉLIO




Atravessou a rua, pegou a lata de banha cheia de água, colocou o pedaço de pano no ombro e se dirigiu ao carro estacionado em frente ao botequim da galeria. Antes, uma parada pra tomar uma golada de Pitu. A bebida bateu forte e ele estremeceu. Gostava disso. Bom dia, dia!


602! Presente! A voz forte respondia à chamada no pelotão “A” do Corpo de Bombeiros de Copacabana. Dezoito anos, tinha orgulho de pertencer à corporação. No concurso de ingresso, ficou entre os primeiros colocados, recebendo elogios do comandante, que sabia de sua condição social e das dificuldades que a vida lhe apresentara. Morador de comunidade, teve a sedução do tráfico à sua volta. Resistiu, trabalhou e estudou até realizar seu sonho: tornar-se soldado bombeiro.


Agarrado ao ferro de sustentação do carro, sirene estridente abrindo caminho, desfilava imponente pelas ruas do bairro para atender aos pedidos de socorro dos moradores. Fogo e fumaça não eram adversários para ele: era o primeiro a se oferecer para entrar em qualquer loj