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O Meu Beija-Flor



 

Na verdade, a gente não pode ser dono de um beija-flor, esse ser que desconhece a gravidade da terra. Ele é o poder da intensidade, a força da delicadeza, e o colorido da liberdade. Mas refiro-me ao que intitula este artigo como ‘meu’, porque, há algumas semanas, percebi que ele vive diante da porta envidraçada do meu quarto.


Ou fica pairando no ar bem de frente pra mim por algum tempo, ou esvoaça pelas plantas mais próximas, ou pousa no pé de goiaba adolescente que cresce de dentro de um vaso. Reconheço ele pelo seu peito e barriguinha branca, e o verde luminoso do resto de seu corpo. E, é claro, pela sua assiduidade. Resolvi então pendurar do lado de fora, ao lado da porta, um vasinho vermelho que dispensa água açucarada através de flores de plástico, pra recompensar as suas visitas. Chris me deu um contra:


“Deixa a natureza agir! A gente tem flores pra eles!”

“As flores estão lá longe, e ele vive aqui nesta área!”


Logo comecei a vê-lo sugando a água das flores de plástico. Vi também ele afastar um outro que tentou se aproximar daquele bebedouro (pra quem não sabe, o beija-flor é o um animal super territorial e feroz).


Com satisfação, vi meu beija-flor dobrar de tamanho em poucos dias. Contei pra Chris, e ele respondeu com ironia:


“Você está criando um típico americano que toma esteroides! Deixa a natureza!”

“E por acaso, o artificio não pode ajudar? ‘Ele’ está todo contente, parece até que vem agradecer quando para mais tempo no ar aqui na frente!”


A inteiração do artificio com a natureza pode produzir coisas belas, como se vê na jardinagem e, para citar um exemplo de Proust, nas regatas que os impressionistas tanto pintaram. Diz o escritor, que até conhecer os quadros de Elstir (personagem da Recherche que é supostamente o artista americano Whistler, o qual pintou várias cenas da Normadia, onde Proust costumava passar o verão) só queria ver a beleza na natureza pura, sem qualquer intervenção da mão do homem.


Mas nas regatas que pode apreciar do pintor, Proust descreve a revelação do Belo como resultado dessa integração entre a natureza e a criação artificial. Obviamente, a gente não encontra isso a cada esquina, ao contrário. A intrusão do artificio deve ser feita com delicadeza e senso estético, coisa cada vez mais rara nesses tempos em que a vulgaridade é avassaladora.


Hoje de manhã, acordei de cara para o beija-flor. Estava pairando no ar, mas não foi beber da minha ‘fonte’. Resolvi checar como ela estava, e vi que um bando de formigas tinha se intrometido nas flores de plástico.  Passei horas dando cabo daquela invasão. Passei também longos momentos me perguntando se devia retornar a fonte, depois de lavada e renovada, ao gancho onde a tinha pendurado.


Natureza e artifício podem se casar e ser felizes, mas descobrir a medida certa é o grande problema dos nossos tempos!


 

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