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O Fracasso das Elites




Nada pode ser mais tenebroso para o futuro de um país do que não ter elites à altura do desafio de impulsioná-lo no sentido de um desenvolvimento humano e econômico sustentável, em um ambiente culturalmente estimulante e fraternal, vivido à luz do estado de direito.


É sonhar alto, sem dúvida, mas os sonhos de uns ajudam que as realidades de muitos outros se concretizem.


Na semana passada escrevi sobre estratégias que as instituições deveriam empregar para se tornarem mais inclusivas e mais produtivas. Comentei, en passant, o meu repúdio a um mantra de alguns segmentos empresariais, uma espécie de postulado para obtenção de maior dedicação de empregados e diretores: é preciso tirar as pessoas da sua zona de conforto, para que produzam, para que deem o melhor de si Este abominável postulado só tem paralelo no complemento: um grande bônus financeiro é a melhor garantia de um bom desempenho.


O primeiro é administrar pelo medo. O segundo é administrar pela ganância. Ambos estilos andam em moda no Brasil, embora superados há muitas décadas no resto do mundo, desde os estudos da chamada escola behaviorista de administração.


As pessoas o que mais prezam, acima do atendimento às suas necessidades básicas, é o reconhecimento dos seus pares, associado a dar significado às suas vidas.


Com horror e espanto um amigo me relatou a conversa com um ambicioso jovem executivo carioca trabalhando em São Paulo. Admirador do Rio, meu amigo perguntou se o executivo costumava visitar a sua cidade de origem, onde tinha sido criado em Ipanema. Nem pensar foi a resposta: meu sonho é ganhar um bom bônus, comprar um flat em Miami e ir andar na praia lá.


Esse é o atual exemplo-padrão de parte ponderável da elite econômica brasileira.


Descompromissada com a missão de dar significado à sua vida por aqui, participando democraticamente na vida pública, batalhando por uma renovação das nossas viciadas práticas políticas.


Essa elite trabalha para sí, egoisticamente, e vira as costas para a sociedade. O sonho é fazer um pé de meia e ir ser um cidadão de segunda classe, sem votar e sem participação política em um outro país. O que o país lhe proporcionou não conta para nada. Este é o retrato da elite traidora dos ideais de brasileiros ou imigrantes, que aqui trabalharam, pagaram seus impostos e criaram seus filhos, na esperança de lhes legar um país respeitado.


Música de Pretos do Brasil, escute nesta playlist da Spotify, aqui.


Será que teríamos avançado algo se José Bonifácio , André Rebouças, Pedro II , o general Osório, o Barão de Mauá, Roberto Simonsen, Johana Dobeheimer , Irmã Dulce, Israel Klabin, ou Presidente Juscelino - JK- tivessem pautado suas vidas em função de ganhar um bônus ou auferir um lucro semestral e ir viver alhures? Tal como essas mulheres e homens conhecidos, existiram e existem, igualmente focados na construção de um grande país, milhões e milhões de brasileiros, lavradores, operários, funcionários públicos, profissionais liberais com o mesmo sonho, à procura de uma elite que os mereça.


Procura-se uma elite educada, inclusiva, responsável do ponto de vista econômico, financeiro, social e ambiental. Viver bem sem comprometer o futuro das novas gerações. A escravidão e a desigualdade social que a ela se seguiu infelizmente vitimaram povo e sua elite, como aliás a história sempre nos mostra.

Há que lutar para que se possa sair do circulo ocioso que nos encontramos.


Quando os Estados Unidos perceberam, no final do Século XIX ,que haviam se tornado o paraíso da corrupção, sua elite refletiu e deu uma guinada. Fundou escolas e faculdades e imprimiu na educação o sentido de consciência social . Seus filhos , a primeira geração, promoveram a maior guinada na vida americana - Franklin Roosevelt , um deles - e muitos da sua equipe de governo.


Vejo, com otimismo, em algumas famílias ricas e pobres, surgirem jovens brasileiros imbuídos dos mesmos ideais humanitários que aquela geração americana. Eles se constituirão numa nova elite, já atuando, por sinal.


Eles terão uma grande tarefa pela frente a começar pela total renovação do quadro político atual. Os outros, a turma do bônus e da tacada, podem ir para Miami engrossar a leva de cubanos, haitianos e outros que saíram dos seus respectivos países por falta de opção e não por falta de consciência cívica.




José Luiz Alquéres é ex-presidente da Eletrobrás, da Light

e da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Atualmente é presidente do Conselho Estratégico da Casa Firjan,

diretor da Edições de Janeiro e colunista semanal da revista CRIATIVOS!

 

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