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Moradores de Rua




Quando se fabrica aqueles preciosos vasos de Murano, soprando vidro e conferindo formas maravilhosas a ele, pode ocorrer um acidente e que ele caia, se espatife e os cacos se espalhem pelo chão. Poderiam ser considerados lixo, mas não são. São reunidos, separados por cor e integrarão futuras misturas que, fundidas, serão transformadas num belo objeto.

Mas sem este cuidado, se interrompido o processos e jogados fora os cacos, eles nada valeriam. Retrabalhados, são preciosidades.


Assim é a questão dos moradores de rua.São os cacos que enviamos para o lixo e não a boa matéria prima a ser retrabalhada.


A inépcia do poder público nesta questão, atinge no Rio de Janeiro e em outras grandes cidades brasileiras, seu ponto mais alto.


Meu amigo Pedro levou sua mãe para passear de carro na zona sul ontem à noite. Teve ímpetos de parar e tirar uma foto de 2 moradores de rua remexendo em busca de restos de comida numa lata de lixo destas enormes, que os edifícios deixam do lado de fora para serem recolhidos pela COMLURB. Onde? Em frente ao Edifício Cap Ferrat, o endereço top de Ipanema, na Vieira Souto.


Não é um caso isolado. Cerca de 25.000 moradores " em situação de rua" se espalham de Santa Cruz ao Leblon, do Leme à Praça Saens Peña.


Não quero minimizar a dificuldade em resolver o problema que envolve aspectos de saúde pública, habitação, reinserção no mercado de trabalho e outras atividades a serem conduzidas por profissionais qualificados. Quanto isso pode custar ? 1.000,00 reais em média por habitante. Que sejam 2.000,00 reais. Custo mensal 50 milhões por mês. Cada apartamento do Cap Ferrat vendido daria para custear um mês do programa. A reinserção bem levada deve ser feita de 6 a 9 meses.


Este é o retrato da inépcia. No Centro, em Copacabana, Ipanema pela cidade inteira as ruas estão vazias à noite, habitadas por esta multidão de miseráveis, ignorados por todos, com raras exceções.


Enquanto isso, prédios vazios em todos os bairros poderiam ser ocupados temporariamente e servir de núcleos de cadastro, tratamento de saúde, psicológico, alimentação , habitação temporária e reinserção social. Não faltam entidades dispostas a assumir estes trabalhos a preço de custo. É um imperativo moral categórico a que não podemos nos furtar e cobrar uma ação imediata .


A valorização imobiliária e a reativação do comércio e dos serviços só teria a ganhar e certamente contribuiria para , alinhada ao poder público, limpo, honesto, transparente, promover esta política. No entanto, nada ocorre. O panorama dos corpos estendidos pelas manhãs e madrugadas é terrível e estático.


Terrível pelo que representa, terrível pela indiferença por parte dos poderes públicos. Será que os poderes públicos não se tocam com o sofrimento alheio, com a falta de assistência? Será que uma Copacabana, nosso bairro turístico por excelência, vazia nos seus restaurantes e calçadas às 9 horas da noite é normal? E os outros bairros? A Glória. O Passeio Público, a Av Rio Branco , Leblon , Tijuca? Será que essa é a nova normalidade urbana? O fenômeno se espalha pelo Grande Rio. Petrópolis, apesar das noites geladas, e por muitos municípios da Baixada Fluminense. Um prédio destes abandonados por bairro requisitado, adaptado, paga uma remuneração ao proprietário, que em geral não paga o IPTU há anos e teremos um ou mais abrigos no bairro. O cadastro das crianças e seu compulsório encaminhamento à escola serão ambições desmedidas? Por que nada, nada vem do poder público? Certamente se perguntarmos para um desses vereadores invisíveis e inúteis que elegemos ele dirá: compete ao Estado, à Fundação Leão XIII. O representante de Estado dirá compete ao município ou do repasse de verbas federais que foi bloqueado porque o Governador brigou com o Presidente. Ou então, suprema desculpa, "a Lei Orgânica do Município não prevê nada a respeito".

Não é tao grande o custo e certamente uma iniciativa pública coordenada, receberia apoio financeiro e de trabalho voluntário das comunidades , empresas e associações de bairros. Podemos ser um país de pobres, mas não precisamos fazer das nossas ruas e semáforos escolas de mendicância. Esta população, e certamente alguns camelôs e vendedores ambulantes, vivem a um passo de enveredar no crime, na loucura ou na total destruição de suas vidas. Sob nossos olhos. A sociedade precisa entender que é obrigação dela conferir dignidade a estas pessoas. Elas são resultado de um processo excludente econômico que deve promover a sua reinserção. As calçadas foram inventadas para outras finalidades. Uma cidade , qual o corpo humano, necessita de suas artérias desobstruídas, limpas e seguras. O segundo passo a ser estudado direitinho é retirar as grades que cercam nossos edifícios, que simbolizam o abandono que o cidadão relegou à sua calçada, o seu espaço público. Sem espaço público não há polis, não há cidadania, Cada edifício é uma fortaleza fraca, vulnerável como se vê todo dia. Há que se deixar de pensar que a segurança pública pode resolver um problema de natureza social. Não pode. Why not face the facts? como cantou Cole Porter.



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