Meu amigo Jabor


Arnaldo Jabor. Fonte: reprodução internet

A primeira vez que vi o Jabor ele devia ter dez anos e eu sete. Estávamos num daqueles dias em que as pessoas levavam sobrinhos e afilhados para o trabalho. Eu estava com minha tia, estatística - uma das primeiras, senão a primeira do Brasil - e ele com o avô, o Seu Hesse, colega de repartição dela. Repartição era o nome genérico de um órgão público, no caso a Contadoria Geral dos Transportes, órgão que mereceria outra crônica. Jabor deveria ser habitué pois circulava com desenvoltura entre as mesas, paparicado pelas secretárias e funcionárias. Um aspecto angelical, cabelo claro, olhos claros, como aqueles santinhos que se distribuía quando se fazia a primeira comunhão. Eu, envergonhado, ao pé da mesa da minha tia e ele a mil.

Fomos colegas no Colégio Santo Inácio, o modelo do colégio que ele apresentou no filme "A Suprema Felicidade". Lá não tivemos quase nenhum contato. Ele era popular e sempre presente na organização de espetáculos de teatro nas festas de fim de ano. Aquelas peças típicas do colégio de padres, de autores como Calderón de la Barca. Ele escrevia na revista do Colégio, a VITÓRIA COLEGIAL, crônicas e poemas..